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HC realiza ação para conscientizar idosos sobre os riscos das quedas
22/06/2016

 

Com o aumento da expectativa de vida, cada vez mais pessoas experimentam as transformações trazidas pelo envelhecimento: o enfraquecimento muscular e ósseo, a perda da firmeza e da flexibilidade; o desequilíbrio decorrente de vícios posturais adquiridos ao longo da vida; a perda progressiva da audição e da visão; além de deficiências cognitivas.

Na Semana Mundial de Prevenção de Quedas em Idosos, a Divisão de Fisioterapia do Instituto Central do Hospital das Clínicas (ICHC), da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), programou diversas atividades de conscientização para a preservação da saúde e da qualidade de vida da população com mais de 60 anos de idade. Nas oficinas de farmácia, nutrição e serviço social, as pessoas receberam orientações sobre alimentação balanceada, o perigo da automedicação e informações sobre o Estatuto do Idoso.

Pesquisa da Sociedade Brasileira de Traumatologia e Ortopedia mostra que mais da metade dos idosos com fraturas de fêmur, ombro ou braço, resultantes de quedas, caíram dentro da própria casa. O estudo foi feito em 2012 com 174 idosos atendidos em hospitais do Rio de Janeiro. Para a fisioterapeuta gerontóloga do HC, Deise Ferreira, isso tem uma explicação: “É justamente no ambiente doméstico que o idoso se sente mais seguro e, por isso, torna-se mais desatento. É muito comum, por exemplo, um idoso que necessita de bengala somente utilizar esse acessório quando sai de casa.”

Ela ressalta que algumas características físicas, comuns naqueles em idade avançada, favorecem acidentes: a postura, geralmente cifótica, projeta para a frente o centro de massa corporal. Além disso, os músculos abdominais – que controlam a postura – não são recrutados de maneira eficiente, o que causa desequilíbrio.

Fatores ambientais elevam ainda mais os riscos: iluminação deficiente; tapetes sem proteção antiderrapante; calçados inadequados; fios elétricos soltos; cama e armários muito altos; e até mesmo animais domésticos. “Muitas vezes, o próprio animalzinho, que serve de companhia, pode tornar-se um risco adicional para acidentes”, ressalta Deise.

Hábitos – Embora os chamados idosos longevos (acima dos 80 anos) sejam os mais suscetíveis a quedas, é preciso considerar a capacidade funcional, os hábitos de vida e a multimorbidade de cada um. Uma pessoa de 60 anos, com diabetes, hipertensão, osteoporose e perda auditiva, por exemplo, corre mais riscos de cair do que outra de 80 anos sem doenças crônicas.

Aos 84 anos, Michelina Monta Savina demonstra ter boa memória. Atenta ao jogo dos 7 erros, identificou todas as irregularidades na maquete de uma cozinha apresentada pelas fisioterapeutas. Por não enxergar bem, ela afirma que toma todos os cuidados para se locomover em casa e na rua. “Estou perdendo a visão por causa do glaucoma. Então, olho muito para o chão quando ando. Talvez por isso eu esteja ficando com a coluna encurvada”, brinca.

“A altura da cama, do sofá e das cadeiras é um detalhe importante, mas pouco observado”, lembra o bancário aposentado Lázaro Moreira de Queiroz, 66 anos, de Patos de Minas (MG). “Muitas pessoas utilizam os mesmos móveis há anos e se esquecem de fazer as adaptações com o passar do tempo, à medida que envelhecem”, afirma ele, que acompanha a irmã nas visitas ao hospital para tratamento de doença imunológica.

De olho nas orientações nutricionais, Cícera Cordeiro Soares, de 62 anos, conheceu outras fontes alimentares de cálcio, pois não gosta de leite e não pode consumir laticínios em decorrência de problemas hepáticos. “Como sei que não posso lesionar o fígado em hipótese alguma, adquiri o hábito de proteger o lado direito do corpo com o braço sempre que sinto que vou perder o equilíbrio”, afirma a paciente do HC, moradora de Rio Claro (SP).

A sétima edição da iniciativa (que começou ontem) oferece atividades até hoje, 22, no saguão do Instituto do Coração (Incor). Diferentemente de ontem, quando o evento destinou-se a pacientes e seus parentes, a programação de hoje é aberta a todos os interessados. Não é preciso fazer inscrição, basta comparecer ao local entre 9 e 13 horas.

DOE, Executivo I, 22/06/2016, p. I