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Reino Unido decide, em consulta popular, deixar a União Europeia
24/06/2016

 

SÃO PAULO - Atualizada às 3h15 – O Reino Unido decidiu, em consulta à população, sair da União Europeia (UE), tornando-se o primeiro membro a deixar o bloco europeu desde a sua fundação. O Brexit, nome dado pela mídia ao referendo que decidiu pela saída, um acrônimo de Britain Exit, teve 52% dos votos para deixar a UE (“leave”) e 48% pela permanência (“remain”, em inglês). O referendo ocorreu ao longo de toda a quinta-feira (23) e a apuração terminou na madrugada desta sexta-feira.

A decisão afeta as bolsas de valores pelo mundo e a moeda britânica, a libra, que sofre a maior queda ao menos desde o grande ataque especulativo de 1992, quando teve de ser retirada do sistema cambial europeu.

Outro efeito colateral importante da saída britânica é o estímulo a decisões semelhantes em todo o continente europeu, onde o descontentamento com a economia em geral e a União Europeia em particular deve gerar uma onda em favor de referendos separatistas.

O resultado do referendo ainda terá de virar lei pelas mãos do Parlamento britânico e entrar em vigor, o que pode ainda levar mais dois anos para efetivar a saída do bloco, mas as chances de a decisão popular ser mudada são praticamente nulas, segundo especialistas.

De acordo com a autoridade eleitoral britânica, foram apurados os votos das 382 seções eleitorais, com 17,4 milhões de votos favoráveis à saída e 16,1 milhões a favor da permanência. Participaram do referendo os habitantes da Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Os votantes tinham de responder à pergunta: "O Reino Unido deve continuar um membro da União Europeia ou deve sair da União Europeia?".

Uma ampla pesquisa feita no Reino Unido logo após o fechamento das urnas, por volta de 22h de quinta-feira (no horário local), dava a vitória à permanência, pelo mesmo percentual de 52% das preferências, o que acabou não se confirmando.

A votação pela permanência ficou mais concentrada em grandes cidades inglesas, como Liverpool, Manchester e Londres, assim como na Escócia. Já no País de Gales e em cidades menores da Inglaterra, notadamente os grandes distritos industriais, o voto pela saída foi majoritário.

A saída da União Europeia tinha vantagem até a semana passada, mas perdeu fôlego após o assassinato da deputada trabalhista Jo Cox por um fanático pela saída do Reino Unido. Após esse episódio, a permanência ganhou terreno e passou a avançar nas pesquisas, a ponto de deixar os líderes favoráveis à saída um tanto desanimados.

O líder do partido anti-imigração Ukip, Nigel Farage, havia dito, logo após o fechamento das urnas, que a permanência ficaria na frente, mas mudou de ideia quando a apuração chegou à metade, por volta de meia-noite, dizendo que tinha esperança no que chamou de “o dia da independência”.

Os defensores da permanência apelam para os benefícios econômicos de fazer parte do bloco gigante europeu, enquanto os favoráveis à saída argumentam que a fronteira aberta para os outros países da Europa gera uma grande imigração prejudicial aos britânicos.

Valor Econômico