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Emílio Ribas na prevenção de doenças respiratórias
29/06/2016

 

Com a chegada do inverno, a expectativa dos meteorologistas é que os próximos meses sejam de baixas temperaturas no Estado de São Paulo. O infectologista e supervisor do pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Ralcyon Teixeira, relaciona as doenças respiratórias e alérgicas mais frequentes nessa época do ano e dá orientações simples para evitá-las.

Ele explica as diferenças entre resfriado e gripe. Por causa da ação de determinados vírus, o resfriado provoca dor no corpo, febre (sem ou baixa), coriza e espirros. “A pessoa resfriada reclama de sintomas brandos, que melhoram em um a três dias”, informa. A gripe (causada por vírus, sendo o H1N1 o mais circulante no Brasil) tem início repentino e desencadeia, quase sempre, febre alta, dor acentuada no corpo e na garganta (persistente) e tosse seca.

“Em geral, o tempo de recuperação varia de três a cinco dias. No entanto, se a febre alta não se normalizar em até três dias, deve-se procurar um pronto-socorro imediatamente”, recomenda o especialista.

Caso o paciente gripado também apresente doença crônica (obesidade, problema pulmonar, renal ou reumatológico) ou use quimioterápico e tenha baixa imunidade deve procurar rapidamente auxílio médico para evitar complicações da doença ou da gripe, alerta. Sem a orientação médica adequada, o grupo considerado de risco (idosos, crianças e gestantes) com gripe tem mais possibilidade de desenvolver pneumonia (infecção no pulmão), o que pode levar o paciente a óbito.

Contra gripe – O medicamento com o princípio ativo Oseltamivir é o mais indicado pelo médico para tratar a gripe H1N1. Nesse caso, frisa Teixeira, o remédio é mais eficaz quando receitado até 48 horas após o início dos sintomas.

“Mesmo que a gripe tenha sido tratada corretamente, o vírus pode comprometer o pulmão (de pessoas do grupo de risco) e infeccioná-lo. Quando isso ocorre, o paciente queixa-se de tosse com secreção amarela ou esverdeada, febre, dor no corpo e mal-estar. Por esse motivo, é importante o acompanhamento médico do problema respiratório”, orienta.

Outras doenças pulmonares frequentes nesse período são a descompensação do quadro de enfisema pulmonar (agressão dos tecidos do pulmão) e bronquite (inflamação dos brônquios). Mais comuns entre fumantes, causam falta de ar, aumento de tosse com secreção e dificuldade para respirar.

Quem tem asma relata mais crises no inverno, devido ao contato com ácaro e poeira em ambientes fechados. “Nas baixas temperaturas, o ácaro e a poeira são gatilhos que facilitam o fechamento dos brônquios e dificultam a respiração. O paciente sente chiado no peito, cansaço, falta de ar e há necessidade de hospitalização”, informa o infectologista. Por isso, é importante higienizar roupas e cobertores antes de usá-los.

Mitos – O clima frio aumenta também a possibilidade de rinite, doença alérgica caracterizada pela inflamação da mucosa nasal. Quem sofre com rinite, sente coceira no nariz, espirros e coriza – facilitadores de asma e infecções respiratórias, como sinusite.

Ao contrário da crença popular, o médico diz que tomar banho muito quente ou lavar os cabelos e, em seguida, ir à rua, beber água gelada e ingerir sorvete no inverno não causam gripe nem resfriado, mas deixa o corpo vulnerável. “Na verdade, o choque térmico diminui as defesas do organismo, mas ele não provoca doenças respiratórias”, esclarece.

A administradora hospitalar Elisângela Lima, 41 anos, que reside em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, há uma semana está com crises de sinusite, faringite e bronquite: “Esses problemas, que tenho há mais de 20 anos, sempre se agravam no inverno. Acho que não estamos preparados para tanto frio. Sempre que estou com crise procuro o pneumologista e o otorrinolaringologista. Tomo a vacina contra a gripe e nunca fico gripada”, explica.

“Minha neta Evelin, de 10 anos, está internada aqui há quase dois meses. Chegou com diagnóstico de gripe H1N1 e parada respiratória. Não tinha tomado a vacina contra a gripe”, conta a enfermeira Isaura Maria Mendonça, 63 anos, que mora na Vila Brasilândia, zona norte. “Os médicos do instituto cuidaram muito bem dela. Ficou entubada durante 17 dias. Com o excelente trabalho dessa equipe de saúde, ela ganhou vida nova e logo terá alta”, comemora a avó.

Como ter mais qualidade de vida no inverno

- Vacine-se anualmente contra a gripe, especialmente crianças, gestantes, idosos e doentes crônicos
- Públicos específicos, como diabéticos e doentes pulmonares crônicos, podem tomar a vacina contra pneumonia com solicitação médica em Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais. Consulte http://goo.gl/QI7CpP
- Ao tossir ou espirrar, pessoas gripadas e/ou resfriadas devem cobrir a boca e o nariz com o antebraço para evitar que suas secreções contaminem o ambiente
- Priorize a higienização das mãos, constantemente, com álcool em gel ou água e sabão
- Pessoas sadias: evitar colocar as mãos na boca e no nariz para diminuir o risco de contaminação por vírus de doenças respiratórias
- Agasalhe-se bem, principalmente ao sair na rua
- Evite exercícios físicos ao ar livre em dias muito frios e secos
- Use soro fisiológico para hidratar olhos e narinas
- Ao usar aquecedores, mantenha outra fonte de umidificação do ambiente (recipiente com água, toalhas molhadas ou umidificadores). Umedecer o ambiente resulta na melhora da defesa do organismo contra vírus e bactérias
- Mantenha ao menos uma fonte de ventilação em locais fechados para facilitar a circulação do ar e reduzir a concentração de vírus, bactérias, material particulado e causador de alergia no ambiente
- Lave e seque bem mantas, roupas e cobertores guardados há muito tempo nos armários

DOE, Executivo I, 29/06/2016, p. II