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Cinto de segurança deve ser usado também no banco traseiro
30/06/2016

 

Um grave acidente automobilístico ocorrido numa rodovia de Goiás, há um ano, causou comoção nacional, ao provocar a morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo e de sua namorada, Allana Moraes. Ambos viajavam no banco de trás do carro que se acidentou e não estavam usando o cinto de segurança. Como os dois ocupantes do banco dianteiro utilizavam o cinto e sobreviveram, a repercussão da triste ocorrência chamou a atenção também para a importância do uso do equipamento por todos os integrantes de um veículo em movimento.

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) tem alertado sobre a necessidade do uso do cinto de segurança por todos os ocupantes de um veículo. “Algumas pessoas têm dúvidas se também é importante usar no banco de trás, porque existe a falsa segurança de que o banco da frente serve de proteção, mas pesquisas mostram que não é bem assim”, afirma o diretor de Atendimento do Detran.SP, Jânio Loiola.

Estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) concluiu que o cinto de segurança no banco da frente reduz o risco de morte em 45% e, no banco traseiro, em até 75%. “É um número expressivo”, diz o diretor do Detran.SP.

Rodovias – Pesquisa realizada pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), em dezembro de 2014, indicou que 53% dos passageiros que viajavam no banco traseiro por estradas paulistas não usavam cinto de segurança. O levantamento, feito nas 45 rodovias do Estado administradas por concessionárias, mostrou, ainda, que 15% das pessoas no banco dianteiro não usavam o cinto; e 13% dos motoristas trafegavam sem o equipamento.

Com relação ao acidente que vitimou o cantor, Loiola diz que foi algo emblemático. “Muita gente disse não saber que os passageiros poderiam ser arremessados para fora do carro, mesmo estando sentados atrás. Com certeza, algumas pessoas mudaram de atitude depois da ampla divulgação do ocorrido”, avalia.

Para Loiola, o fato de a pessoa não usar o cinto ser passível de multa “é o menor dos problemas”. Conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a utilização do equipamento de segurança é exigida de todos os motoristas e passageiros de automóveis. Deixar de utilizá-lo é infração grave, com multa de R$ 127,69, além de cinco pontos na habilitação do condutor.

O uso é dispensável somente nos veículos em que é permitido o transporte de pessoas em pé, como os ônibus urbanos. Nos ônibus que trafegam por rodovias, é proibido viajar em pé, e cada passageiro deve usar o cinto de segurança.

No ano passado, o Detran.SP aplicou 158.859 multas no perímetro urbano pela falta do uso de cinto de segurança, tanto por condutores quanto por passageiros. O dado mais recente disponível, relativo aos dois primeiros meses deste ano, indica que houve 18.899 multas desse tipo. Esses números não abrangem a situação das rodovias, nas quais as multas são aplicadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

“Não faz o menor sentido deixar de usar o cinto de segurança. Não apenas pelo receio de ser multado, mas sim por segurança”, afirma o diretor do Detran.SP. Ele lembra que a importância de sua utilização é algo inquestionável hoje em dia.

“Não existe mais aquela situação em que alguém diz que não irá usar o cinto e a pessoa do lado vê essa atitude como positiva. Temos de enfatizar a necessidade de que isso seja seguido também no banco de trás, o que pode salvar vidas e evitar sequelas graves em um acidente”, ressalta. “A pessoa não deve sair de carro, mesmo que seja para dar uma volta no quarteirão, sem usar o equipamento”, ressalta.

O tema fez parte de uma campanha educativa, no fim do ano passado, realizada pelo Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, que tem a participação do Detran.SP. Esse movimento é um programa coordenado pela Secretaria de Governo do Estado com apoio de vários órgãos estaduais e entidades privadas.

Lançada em agosto de 2015, a iniciativa tem como objetivo reduzir, até 2020, em pelo menos 50% o número de óbitos em acidentes de trânsito no Estado de São Paulo. É inspirado na Década de Ação pela Segurança Viária, período de 2011 a 2020 estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção para a questão da violência no trânsito.

Uma ferramenta para auxiliar na elaboração de políticas públicas relacionadas à segurança no trânsito é o Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga SP), banco de dados que reúne informações de diversas fontes. Os dados são atualizados mensalmente e abrangem perfil do acidente, da vítima e da frota.

DOE, Executivo I, 30/06/2016, p. I