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Campanha estimula prevenção ao câncer aos passageiros da CPTM
09/07/2016

 

Na manhã de ontem, 8, usuários que circularam no acesso à Estação Palmeiras– Barra Funda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) participaram da Blitz do Bem. A ação integra o Julho Verde, mês dedicado à prevenção do câncer de cabeça e pescoço. O evento foi promovido em parceria com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e com o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod).

Inicialmente, as pessoas responderam ao questionário do teste chamado Fagerström, que avalia o grau de dependência nicotínica. Na sequência, expeliram ar no monoxímetro (equipamento que identifica a quantidade de monóxido de carbono no pulmão) e foram classificadas como não fumantes, fumantes leves, moderados ou pesados. Em seguida, receberam orientação para procurar serviços públicos especializados no combate ao vício.

A cirurgiã-dentista Sandra Silva Marques, coordenadora estadual do Programa de Controle do Tabagismo, instalado no Cratod, informa que existem 208 locais de atendimento na capital paulista para quem quer abandonar o cigarro. No Estado de São Paulo são 777 postos geridos pelas prefeituras municipais. O programa oferece assistência com o apoio de equipe multiprofissional (psiquiatra, clínico geral, psicólogo, dentista, farmacêutico e fisioterapeuta).

Assistência – “O consumo de álcool e cigarro aumenta em 20 vezes o risco de câncer na cabeça e no pescoço”, alerta a cirurgiã do Icesp, Fernanda Bonani, informando que os tipos mais comuns da doença são os de boca, de orofaringe (região entre a boca e a laringe) e de laringe.

“Esse evento é uma oportunidade para divulgarmos à população a existência de tratamento de tabagismo gratuito, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, diz Sandra. Ela frisa que comprar goma de mascar com nicotina e tentar parar de fumar por conta própria nem sempre tem o resultado esperado, pois o fumante precisa de terapia cognitivo-comportamental, disponível no programa.

Fissura – “A terapia ajuda a criar estratégias de rotina para superar a síndrome de abstinência”, explica. “O programa de combate ao tabagismo apresenta 30% de sucesso, após um ano de tratamento, período recomendado pelo Ministério da Saúde”, afirma Sandra.

Uma receita simples usada para auxiliar quem quer se livrar do vício é o kit fissura, composto de cravo, canela, uva passa, damasco, casca de laranja seca, semente de abóbora ou de girassol. “Com gosto forte, essas especiarias são fibrosas, não engordam e ajudam a superar o pico de abstinência”, esclarece a coordenadora.

Sandra relata que há fumantes que têm dificuldade para deixar o vício porque podem apresentar outras doenças psiquiátricas relacionadas a essa fase – depressão, esquizofrenia e transtorno de ansiedade. Nesse caso, é preciso tratá-las com o psiquiatra.

Sintomas – O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que no Brasil, neste ano, podem ser notificados 15.490 casos de câncer bucal – 11.140 em homens e 4.350 em mulheres.

Fernanda esclarece que os sintomas mais comuns para tumores malignos de boca e orofaringe são lesão que não cicatriza, sangramento, alteração de voz (rouquidão), afta frequente na língua ou no céu da boca, dor local e dificuldade para engolir.

“Caso essas queixas persistam por mais de 15 dias é imprescindível consultar um dentista ou clínico geral para avaliação”, salienta a especialista do Icesp. O diagnóstico inclui biópsia e, dependendo do tipo e estágio da doença, o paciente poderá ser submetido a processo cirúrgico, quimioterápico e radioterápico.

“Para prevenir os cânceres de boca e pescoço é preciso parar de fumar e de beber. Dos pacientes atendidos no Icesp, 80% manifestam a doença por causa do cigarro; e 50%, devido ao abuso de álcool”, relata. Ela diz que esse tipo de neoplasia é pouco conhecido entre a população. “Muitos pacientes chegam ao hospital em estágio avançado. A lesão grave pode ocasionar perda da fala, impossibilidade de se alimentar (exige sonda ou outro procedimento) e representa risco de morte”, adverte.

Cheiro – O técnico de radiologia André Carlos dos Santos, 31 anos, que mora em Carapicuíba, zona oeste da capital, conta que fuma há 16 anos: “Já fumei um maço por dia. Tentei parar e não consegui, mas passei a consumir dez cigarros por dia”. Para ele, o mais desagradável é acordar e sentir o cheiro da fumaça do tabaco em suas roupas e cabelos. Ao receber o endereço da unidade de saúde próxima de sua casa para tratamento, afirmou: “Não custa nada tentar largar de novo”.

“Quando bebo cerveja, fumo mais”, admite a cabeleireira Regina Helena de Oliveira, 50 anos, de Itaquera, zona leste. Tabagista há 38 anos, ela conta que só largou o vício durante o período de gestação dos dois filhos: “Voltei a fumar porque sem o cigarro ficava mais ansiosa. Essa campanha incentiva a deixar de jogar a saúde e o dinheiro no lixo”, avalia, enquanto é examinada pelo estomatologista do Icesp, o dentista André Guollo. Estomatologia é a área da odontologia especializada no diagnóstico de doenças bucais.

Para prevenir câncer de boca, Guollo ressalta que “é fundamental visitar o dentista duas vezes por ano, escovar os dentes no mínimo três vezes por dia e usar fio dental, se possível, à noite”. Casos suspeitos de lesão na boca foram encaminhados a serviços públicos especializados.

DOE, Executivo I, 09/07/2016, p. I