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Oftalmologista ensina a manter a saúde dos olhos no inverno
20/07/2016

 

Recebemos muitos pacientes com glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular em fases avançadas e risco de cegueira irreversível no Hospital das Clínicas”, diz o médico Pedro Carricondo, diretor do pronto-socorro (PS) de Oftalmologia do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Para evitar situações semelhantes, ele recomenda cuidar da saúde dos olhos desde cedo.

O bebê recém-nascido deve passar pelo teste de reflexo vermelho, conhecido como Exame do Olhinho, assim que vem à luz. A Lei estadual n° 12.551/2007 determina a obrigatoriedade do exame gratuito nas maternidades e hospitais do Estado de São Paulo, que identifica possíveis alterações no fundo do olho, como catarata congênita e retinoblastoma (tumor maligno na retina) – tipo mais frequente de câncer infantil.

O especialista orienta que entre 6 meses e 1 ano de vida, os pais devem levar o bebê ao oftalmologista. A consulta é importante para identificar ou descartar estrabismo, além de repetir o Exame do Olhinho. Se houver alterações, o pequeno paciente é encaminhado ao oftalmologista pediátrico para continuar o tratamento.

Prevenção – Carricondo orienta procurar o médico novamente aos 5 ou 6 anos de idade. “No período escolar, tanto a criança quanto o adolescente devem consultar o oftalmologista conforme a necessidade, em caso de haver queixas de dificuldade para enxergar. Nessa fase, é pequena a incidência de doenças oftalmológicas”, informa.

A partir dos 40 anos, é importante consultar o oftalmologista uma vez por ano. Na opinião do médico, o brasileiro não está atento à prevenção. A avaliação da visão, feita no próprio consultório, inclui análise da pressão intraocular, exame do olho com microscópio para analisar estruturas internas (lâmpada de fenda) e exame de fundo de olho (examina a retina e o nervo óptico). Caso seja necessário, o médico poderá solicitar outros exames.

Glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular devido à idade são as doenças oftalmológicas mais comuns. “Esses problemas na retina são preveníveis e tratáveis, desde que diagnosticados em fase inicial. Não há cura, mas o tratamento controla os sintomas. A identificação em fase avançada poderá ocasionar cegueira irreversível”, alerta.

Comuns – Glaucoma é uma atrofia do nervo óptico do olho por causa da pressão intraocular elevada, que pode ser controlada com a aplicação de colírio. Retinopatia diabética é uma das consequências do diabetes não monitorado. O tratamento requer aplicação de laser ou injeção com medicamento específico dentro do olho.

Degeneração macular pela idade é mais comum a partir dos 60 anos. É causada pela alteração de uma estrutura da retina chamada mácula, que passa a acumular substâncias tóxicas. Para prevenir o seu avanço, o paciente precisa usar óculos escuros, priorizar alimentação saudável, rica em frutas e verduras, além de suplemento de vitaminas em doses altas. Acomete de 3% a 5% da população acima de 60 anos e de 15% a 20% dos idosos com mais de 80 anos.

O médico orienta a preservar a saúde dos olhos não usando óculos escuros vendidos por ambulantes: “Evite esse produto porque pode ser fabricado sem as técnicas apropriadas”, diz.

Riscos – Sem a proteção ultravioleta adequada, os óculos de sol adquiridos informalmente e sem receita, ao contato com a luz, dilatam as pupilas, o que no longo prazo aumenta o risco de alterações na retina, entre elas a degeneração da mácula. “Não é possível identificar a ausência ou presença de proteção ultravioleta. Na dúvida, não compre”, adverte.

O especialista também explica as vantagens e desvantagens de usar lente de contato e óculos para corrigir alterações visuais. “A lente de contato beneficia a estética do paciente. Oferece ótima qualidade de visão, mas aumenta o risco de infecção. Por isso, exige bastante higiene das lentes e das mãos do usuário – elas devem ser retiradas antes de dormir e antes do banho de piscina ou de mar.

Outra recomendação importante é adquiri-las somente com a supervisão do oftalmologista, pois as lentes de contato são apresentadas em diversos tamanhos e texturas. O médico avalia qual tipo é o mais adequado às características do olho de cada paciente.

O uso de óculos é mais prático e oferece baixo risco de lesão ou infecção nos olhos. “As lentes dos óculos atuais são inquebráveis, protegendo o paciente de objetos, porventura, lançados em seus olhos.” No entanto, existe o desconforto da armação e da lente: quando o grau de correção é alto, lentes mais espessas distorcem as imagens.

Ressecamento – Quem usa computador e smartphone muitas horas por dia deve ficar atento para evitar o ressecamento ocular, o chamado olho seco. “O esforço visual prolongado ocasiona visão de perto cansada, dor de cabeça, olhos irritados e embaçamento visual”, explica o oftalmologista. Ar-condicionado e tempo seco também colaboram para o ressecamento ocular.

Para evitar essa situação, Carricondo recomenda interromper a rotina de trabalho com o computador ou celular a cada duas ou três horas e aplicar uma gota de colírio lubrificante.

O inverno e o tempo seco favorecem a proliferação da conjuntivite (inflamação da conjuntiva causada por vírus e bactérias). Os sintomas mais comuns são olhos avermelhados, coceira, lacrimejamento, secreção ao acordar, sensação de areia dentro dos olhos e visão embaçada.

O tratamento exige afastamento de uma semana a um mês do trabalho. Se a conjuntivite for viral, o oftalmologista recomenda a utilização de compressas de água fria e colírio lubrificante. Na forma bacteriana, além desses cuidados, será necessário usar antibiótico conforme prescrição médica.

“No decorrer do ano, o HC recebe de 40 a 50 pessoas com conjuntivite por semana. No entanto, no verão e no inverno de 2014, houve uma epidemia com a circulação de novos vírus. Na ocasião, registramos cem casos por dia. Recebíamos pacientes cuja família inteira havia sido infectada”, lembra o especialista.

Para se prevenir da doença, a recomendação é não passar as mãos nos olhos, lavar as mãos com água e sabão com frequência e evitar aglomerações urbanas.

DOE, Executivo I, 20/07/2016, p. III