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Medição da qualidade do ar na RMSP é aprimorada
03/08/2016

 

A rede de monitoramento da qualidade do ar mantida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) passa por remodelação, o que possibilitará procedimentos mais refinados nessa atividade. A Estação Parque D. Pedro, localizada na região central da capital, foi a primeira a ganhar nova estrutura, que abriga equipamentos de última geração.

Para os cidadãos, a principal vantagem da mudança, de acordo com a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Helena Martins, é o fato de que “teremos dados melhores, porque o equipamento tem tecnologia mais avançada de medição”. Essas estações têm de ser, além de precisas, muito resistentes, pois funcionam todos os dias do ano, 24 horas por dia.

“Registramos um bom índice de aproveitamento dos dados. As paradas para resolução de problemas técnicos seguem o padrão observado internacionalmente. Com o novo equipamento, o total de dados gerados aumentará, porque reduziremos ainda mais eventuais paralisações para manutenção”, assegura a gerente.

A atualização dos equipamentos atingirá 13 das 28 estações automáticas de monitoramento da qualidade do ar da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Serão utilizados recursos provenientes da compensação ambiental do licenciamento do Rodoanel – Trecho Norte.

Depois da Estação Parque D. Pedro, já remodelada, passarão pelo processo as estações de Pinheiros, Santana, Nossa Senhora do Ó, São Caetano do Sul, Santo André – Paço Municipal, Itaim Paulista, Mooca, Congonhas e Itaquera. Outras três estações ainda serão definidas.

Visualização – Desde sua instalação, em 1981, a Estação Parque D. Pedro teve várias renovações. Agora, ganhou novo desenho, que permite a visualização de seu interior e o acompanhamento das operações de medição da qualidade do ar. Localizada no espaço do Museu Catavento, a estação faz parte do circuito de visitação dessa instituição, que recebe grande número de estudantes.

“Pusemos um corredor e uma parte de vidro, que permite a visualização dos equipamentos. A modernização foi planejada para reforçar também esse lado. Ao mesmo tempo em que integra a rede da Cetesb, a estação tem função educacional”, diz Maria Helena.

Além dos poluentes monitorados anteriormente, a estação vai medir as partículas inaláveis finas, menores do que 2,5 micrômetros (ou 2,5 micra). Um micrômetro equivale a um milionésimo de metro. “Essas partículas penetram mais profundamente no nosso trato respiratório e são mais agressivas à saúde”, acrescenta a gerente.

Os métodos de medição utilizados em toda a rede de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb seguem o preconizado internacionalmente. Os equipamentos em uso atendem aos padrões recomendados pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Usepa, na sigla em inglês). Todos os sistemas de medição passam por rotinas de calibração e por procedimentos de manutenção periódica. “São equipamentos testados pela Usepa nos Estados Unidos. Isso aumenta a confiabilidade”, explica.

Início – O monitoramento da qualidade do ar, com a avaliação das concentrações de poluentes na RMSP, foi iniciado na década de 1970, com a utilização de estações manuais. Esses equipamentos dependem da ida de um técnico, que coloca o filtro para recolher dados por determinado tempo (24 horas, por exemplo). Ao fim do período previsto, o filtro é retirado e levado ao laboratório, para as medições. Na RMSP, continuam em atividade 11 pontos de medição manual.

Em 1981, foi criada a rede automática. Além de ampliar a gama de poluentes avaliados, outro ganho obtido com essa rede foi a possibilidade de acompanhamento dos dados em tempo real, sem a necessidade de ida ao local da estação.

Ao longo de mais de quatro décadas de redes de monitoramento, houve muitas alterações em suas configurações. Monitores e tecnologias foram substituídos, houve a instalação de novas estações e ampliaram-se os parâmetros monitorados, entre outras mudanças.

Série – Os dados sobre concentração dos poluentes atmosféricos coletados nesse período constituem uma série histórica significativa, que contribui para o desenvolvimento de programas que visam ao controle das emissões veiculares. As informações dão base para ações de controle das emissões atmosféricas industriais e os processos de licenciamento, com a finalidade de reduzir os impactos sobre a qualidade do ar. Esses dados oferecem também subsídios para as áreas de saúde em estudos relacionados à poluição do ar.

No site da Cetesb (ver serviço), estão disponíveis para consulta pública os dados desde 1998. Encontram-se em operação atualmente, na RMSP, 28 das 59 estações que compõem a rede automática de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb. As demais 31 estações ficam no interior e no litoral de São Paulo.

DOE, Executivo I, 03/08/2016, p. I