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Dia Mundial do Pedestre: ações buscam mais segurança viária
09/08/2016

 

Muita coisa mudou no mundo, de 47 anos para cá, quando o fotógrafo escocês Iain MacMillan clicou os Beatles cruzando a Rua Abbey Road, em Londres, diante do estúdio de gravação de mesmo nome da banda. A imagem icônica, no entanto, continua a despertar paixões. O registro de 8 de agosto de 1969 serviu de inspiração para vários movimentos, inclusive para a criação do Dia Mundial do Pedestre que, a cada ano, ganha mais força.

Em São Paulo, surgiu no ano passado o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, influenciado pela Década de Ação pela Segurança Viária (2011 a 2020), estabelecida pela ONU. O objetivo é alertar os pedestres sobre a violência no trânsito e os cuidados a serem tomados ao atravessar as ruas.

O Movimento tem um comitê gestor, coordenado pela Secretaria de Governo, sendo composto por mais oito secretarias de Estado – Casa Civil, Segurança Pública, Logística e Transportes, Saúde, Direitos da Pessoa com Deficiência, Educação, Transporte Metropolitano, Planejamento e Gestão, por meio do Departamento Estadual de Trânsito – Detran.SP – responsáveis por um conjunto de políticas públicas com vistas à redução do número de vítimas de acidentes no Estado de São Paulo.

Constante – Para a coordenadora do Movimento, Silvia Maria Lisboa, o trânsito sempre foi prioridade nas ações governamentais do Estado. “Estamos trabalhando constantemente em torno de atividades direcionadas à educação no trânsito, segurança de vias e veículos, além da gestão nas respostas para acidentes, fiscalização, obras e campanhas de comunicação.”

Silva ressalta que, desde 1998, o Estado traça planos de redução de acidentes, condicionando ainda a construção de passarelas em trechos urbanos. Hoje, 234 passarelas foram construídas, tanto pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) quanto pelo Departamento de Estra das de Rodagem (DER), com investimentos que superam R$ 327 milhões. Até o fim do ano, há previsão de conclusão de mais nove.

Outras medidas adotadas são iluminação e sinalização de travessias e a colocação de tela no canteiro central das vias para estimular a utilização das passarelas e evitar a travessia pelas pistas.

A instalação de lombadas eletrônicas em trechos de rodovias com maior Volume Diário Médio (VDM) e no perímetro urbano é outra importante ação. As rodovias paulistas têm 114 lombadas eletrônicas, que auxiliam na fiscalização de trechos rodoviários com grande adensamento urbano.

Fragilidade – O comportamento do pedestre é fator de extrema importância na redução de atropelamentos, pois ele é o elo mais frágil no trânsito, comenta a coordenadora.

Entre os 15 municípios que mantêm convênio com o Governo do Estado para investimentos em iniciativas direcionadas à fiscalização, sinalização e educação para o trânsito, vale ressaltar os resultados positivos alcançados na redução de morte de pedestres em Praia Grande, com diminuição de 84% (perímetro urbano + rodovia) e de 93% (perímetro urbano); em Itanhaém houve queda de 89% (perímetro urbano + rodovia) e 88% (rodovia); em Atibaia a redução foi de 71% (rodovias); e Sorocaba registra decréscimo de 50% (rodovias).

Foram considerados municípios com números superiores a 15 óbitos por 100 mil e escolhidos por faixa populacional (até 100 mil habitantes, 200 mil, 400 mil e acima de 400 mil habitantes).

Expansão – De acordo com dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito (Infosiga-SP), houve queda de 17% no número de pedestres mortos no primeiro semestre de 2016 na comparação com o mesmo período do ano passado, tendo havido redução de 879 para 729 no número de vítimas. Dessas, 72% são do sexo masculino e 33% têm 60 anos ou mais.

Segundo Silvia, São Paulo planeja expandir a abrangência dos convênios. “Eles foram estabelecidos para criar modelos eficazes na promoção da segurança no trânsito. Queremos que as melhores práticas sejam repassadas aos municípios com características semelhantes aos que assinaram parceria com o Movimento Paulista de Segurança. Políticas públicas serão criadas para que os resultados se multipliquem e o Estado de São Paulo reduza ainda mais os índices de acidentes e mortes.”

Entre as principais causas de atropelamento estão imprudência de motoristas, mas há falta de respeito dos pedestres à sinalização igualmente.

DOE, Executivo I, 09/08/2016, p. I