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Especialista ensina a manter a saúde da coluna lombar
06/09/2016

 

Estudo realizado na Inglaterra mostra que a lombalgia (dor localizada na região final do tórax até o início do glúteo) é o primeiro fator de absenteísmo no trabalho e a segunda principal causa de visita a pronto-socorro; a primeira são doenças gastrointestinais. A pesquisa londrina revela, ainda, que a lombalgia é responsável por gastos de 5 bilhões de libras esterlinas (equivalente a R$ 20 bilhões) por ano devido à ausência do paciente no emprego, cirurgias e tratamentos.

“Um estudo americano informa que oito em cada dez pessoas no mundo têm dor lombar, metade delas terá dor crônica em algum momento da vida. Apesar da frequência, a prevenção de lombalgia ainda é um assunto desconhecido da população”, explica o médico Luiz Cláudio Lacerda Rodrigues, especialista em ortopedia e traumatologia.

De acordo com o médico, alterações inflamatórias do organismo, esforço físico e postura inadequada, assim como hábitos de vida errados estão entre as principais causas de lombalgia.

De olho no colchão – O colchão com prazo de validade vencido e densidade inapropriada ao peso do indivíduo são vilões para a dor lombar. Se for muito duro, cria pontos de maior carga no corpo e sobrecarrega a coluna lombar, o que predispõe lombalgia a longo prazo. “Se o colchão for muito macio, o corpo da pessoa afunda e, devido ao excesso de pressão, modifica a estrutura natural da coluna”, adverte Rodrigues.

Enquanto a pessoa dorme, seus músculos relaxam e o disco intervertebral (conjunto de vértebras que estão separadas entre si e garantem a mobilidade do tronco) recebe importantes nutrientes celulares. “Se não dormir na posição correta ou tempo insuficiente, esses nutrientes não chegarão plenamente ao disco intervertebral, o que favorece o desgaste precoce da coluna”, explica o especialista.

A maneira correta de se sentar é manter a coluna ereta para evitar sobrecarga no disco: “O certo é manter o quadril e o joelho dobrados num ângulo de 90 graus. Se os pés não atingirem o chão, é necessário utilizar apoio para as pernas. Evite sentar-se de forma jogada, inclinando a coluna, pois isso sobrecarrega o disco”.

Exercícios com pesos – Ele explica que a coluna lombar é dividida em duas estruturas: a muscular e a óssea (disco intervertebral). Para fortalecer os músculos e diminuir a sobrecarga da coluna, o médico recomenda abandonar o sedentarismo e praticar atividades físicas regulares, em especial, exercícios com pesos, como musculação e pilates com aparelhos de mola. A corrida também beneficia o ganho muscular. No entanto, quem tem problemas de coluna, deve correr em regiões planas (evitar subidas e descidas) e usar tênis macio para reduzir o impacto na lombar.

Outra situação do cotidiano que pode comprometer a saúde da coluna é permanecer mais de duas horas sentado. “Durante o dia de trabalho, é muito importante levantar-se a cada hora ou 1h30 para caminhar e movimentar o corpo durante cinco ou dez minutos”, orienta.

Profissionais de enfermagem e da construção civil são mais propensos a desenvolver lombalgia devido à frequência de manipulação de peso no trabalho. Motoristas e funcionários de escritório, que ficam muitas horas sentados, também devem atentar à importância de se levantar e assim proteger a saúde da coluna.

Dor na gravidez – “Ao levantar qualquer objeto pesado, a coluna deve permanecer sempre reta. Evite cargas excessivas. O ideal é que a carga não ultrapasse 20% a 25% do peso corporal. Mais que isso, é grande o risco de dor”, alerta o ortopedista.

Estresse, sedentarismo, genética familiar, tabagismo, sobrepeso e obesidade são também fatores de risco para a lombalgia. “A gravidez é uma situação temporária de mais inclinação da lombar. Por isso, é importante que antes da gestação, a mulher se prepare com musculação para fortalecimento muscular e da pelve e assim evitar dor na coluna nos nove meses que antecedem o parto. Sem esses cuidados, depois do parto a dor lombar poderá persistir e será necessário tratamento ortopédico”, esclarece.

Ele diz que os negros têm mais tendência de desenvolver lordose (curvatura exagerada da lombar). No entanto, como o Brasil é um país miscigenado, há pessoas de outras etnias que também apresentam o problema.

A população deve mudar seu estilo de vida para prevenir as dores lombares, recomenda. “Elas começam em intervalos prolongados, mas a longo prazo podem tornar-se um problema crônico e constante”. E lembra, ainda: “O paciente pode se queixar de dor 24 horas por dia, o que geralmente acompanha quadros de depressão, mau humor, problemas de relacionamento, dificuldade de locomoção e para realizar as atividades rotineiras. Nesse caso, é mais difícil realizar atividades físicas e o ciclo vicioso torna a pessoa mais debilitada”. Casos extremos de dor crônica ocasionada pela lombalgia levam à hérnia de disco (doença associada ao desgaste do disco intervertebral).

Largar o cigarro – Para evitar situações como essa, ele frisa que é importante abandonar o cigarro, aderir à alimentação saudável, manter-se no peso ideal, além de dormir de 6 a 8 horas por dia em colchão adequado e só pegar peso de acordo com as orientações do médico.

O tratamento ortopédico de lombalgia inclui uso de analgésico para evitar a dor e sessões de fisioterapia e acupuntura. “A lombalgia é uma doença crônica degenerativa como diabetes, pressão alta e outras. O tratamento deve ser realizado pelo resto da vida. O pico do problema de coluna é a dor.”

Rodrigues lamenta que muitos pacientes são imediatistas e evitam o tratamento direcionado, a longo prazo. Por esse motivo, na opinião dele, aumenta o número de cirurgias da coluna: “Além de onerar o sistema de saúde, nem sempre os resultados da operação são satisfatórios porque os vícios de postura continuam após o procedimento”.

Amparado na literatura médica, o especialista diz que as cirurgias só são indicadas nas seguintes situações: quando há perda de força de um dos membros (pernas ou braços), progressivamente, dor intratável por pelo menos três meses (de acordo com avaliação do próprio paciente), doenças raras da coluna, como síndrome da cauda equina (hérnia de disco que comprime as raízes nervosas da lombar).

DOE, Executivo I, 06/09/2016, p. IV