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Campanha divulga informações na web sobre perda de peso
14/09/2016

 

Em comparação aos pacientes com hipertensão e diabetes, apenas 0,67% das pessoas com obesidade são tratadas com medicamentos”, lamentou o endocrinologista Márcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), durante o lançamento da campanha Obesidade é o que você não vê, evento realizado na manhã de ontem, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista. “No passado e ainda hoje, em algumas regiões do País, a obesidade é vista como sinônimo de saúde e de prosperidade”, diz.

Para corrigir distorções como essas, informar sobre o conceito correto de obesidade e suas opções de tratamento, a empresa farmacêutica Novo Nordisk promoveu a ação, com apoio da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).

Reconhecida como uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade exige tratamento de longo prazo. Dados da OMS revelam que o problema de saúde aumentou significativamente nos últimos 30 anos e tornou-se epidemia. Mais de 1,9 bilhão de adultos do mundo têm sobrepeso. No Brasil, de acordo com pesquisa de 2014 do Ministério da Saúde, o excesso de peso atinge 52,5% da população adulta. Nove anos atrás, eram 43% – o que representa crescimento de 23% no período.

Doenças – “Sessenta por cento das mulheres e 57% dos homens apresentavam excesso de peso em 2013. Entre os jovens de 18 a 25 anos eram 33%, número que vai aumentando até os 64 anos de idade e declina depois dessa faixa etária. Entre 7% e 8% dos adolescentes com peso acima do ideal se tornarão adultos obesos”, informa o especialista do HC.

Mancini abordou diversas pesquisas estrangeiras relacionadas ao tema e destacou que o aumento de peso amplia o risco de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares, dislipidemia, hipertensão, apneia do sono, gordura no fígado, problemas de articulação, depressão e outras.

Redução da expectativa de vida é outro problema relacionado ao aumento de índice de massa corpórea (IMC) além do normal. “Indivíduos obesos que perdem de 5% a 10% do peso têm muitos benefícios, entre eles: redução do risco de diabetes tipo 2, menos risco de problemas cardíacos e de morte, menos apneias do sono (obstrução da faringe e dificuldades respiratórias enquanto dormem)”, frisa.

“Manutenção do peso perdido é um desafio muito maior do que perder peso. Mesmo passado um ano, a fome aumenta em resposta à perda de peso e a maioria dos pacientes recupera os quilos perdidos”, explica Mancini.

Mudança – Após relacionar uma série de medicamentos para emagrecer, indicados para casos específicos, Mancini ressaltou que o remédio não substitui a mudança de estilo de vida (ambos devem ser combinados). Ele enfatizou ainda que medicamento não cura obesidade, mas sim a controla, assim como os tratamentos para diabetes e hipertensão.

Para a presidente da Abeso e endocrinologista do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do HC, Cintia Cercato, existe um estigma na sociedade contra as pessoas obesas que desestimula a assistência médica. “É errado ridicularizar o obeso. Muitas pessoas não enxergam a obesidade como problema de saúde, mas sim como falta de vontade dos pacientes para emagrecer, o que é incorreto”, esclarece. Ela acrescenta: “Muitos indivíduos encaram a questão apenas como problema estético”.

Segundo a médica, não existe solução milagrosa para emagrecer nem para perder peso no curto prazo, em geral divulgadas em dietas sem recomendação médica e sem evidência científica. Ao falar do site (ver serviço) que integra a campanha Obesidade é o que você não vê, Cintia informou que a página foi criada para oferecer informações confiáveis sobre obesidade à população. “Propomos uma nova forma de olhar esse problema de saúde. Saúde não se pesa, ou seja, a obesidade não é apenas o que se vê no espelho e seus impactos são silenciosos, pois vão muito além da imagem”, explica Cintia.

Com linguagem descomplicada, a página apresenta conceitos de obesidade, de IMC, mecanismos de apetite da pessoa obesa, opções de tratamento, mapa da situação brasileira, mitos e verdades sobre o tema e outras informações.

Menos 80 – “Aos 31 anos, não conseguia caminhar nem dez minutos. Calculei que, em dez anos, eu morreria, caso não mudasse o meu estilo de vida. Decidi, então, me amar e amar as pessoas importantes para mim”, relembra o jornalista e blogueiro Jorge Bentes. Ele procurou nutricionista, iniciou academia e depois de um ano de dedicação e esforço perdeu 80 quilos.

O jornalista conta que aprendeu a se alimentar corretamente aos 31 anos. Vitorioso, agora compartilha suas experiências no Facebook. Hoje com 70 quilos, diz que teve de chegar aos 150 quilos para enxergar uma de suas missões na vida: informar à população conceitos corretos da dieta alimentar.

DOE, Executivo I, 14/09/2016, p. I