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Sucesso na capital, Bebelê será levado a dez bibliotecas do interior
4/10/2016

 

Em primeiro lugar, o acolhimento. Ao chegar à biblioteca, as crianças de 6 meses a 4 anos, acompanhadas dos pais ou cuidadores, são recebidas em área preparada com tapetes e pufes coloridos, livros e objetos infantis. E, para dar andamento às atividades, começa a tocar uma música de boas-vindas.

Assim, tem início a sessão do Programa Bebelê, desenvolvido na Biblioteca de São Paulo, localizada no Parque da Juventude (antiga Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru, zona norte), desde 2012, e na Biblioteca Villa-Lobos, que fica no parque de mesmo nome, na zona oeste, a partir de 2014.

Sucesso – Fundamentado na teoria do Early Literacy (Letramento Infantil), do National Institute of Child Health and Human Development – NICHD, o trabalho tem como objetivo sensibilizar gestantes, pais, cuidadores de bebês e crianças sobre a importância do ato de ler e as consequências positivas que a interação com histórias e livros agrega ao desenvolvimento infantil.

“Promovemos uma experiência agradável de leitura que pode ser replicada em casa e que proporciona tanto o prazer por essa atividade quanto o desenvolvimento das habilidades relacionadas ao letramento”, explica Letícia Fagiani, bibliotecária-sênior da Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, a SP Leitura, organização responsável pela gestão das duas bibliotecas estaduais. “E tem sido um sucesso”, avisa.

Em breve, a iniciativa testada e aprovada terá espaço em mais dez bibliotecas, localizadas nos municípios de Auriflama, Birigui, Guararema, Jundiaí, Lençóis Paulista, Praia Grande, Presidente Prudente, Igarapava, Itapetininga e Ourinhos. Elas foram contempladas em edital lançado pela Organização Social SP Leituras, em parceria com o Instituto Tellus, e que teve apoio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB) e da Secretaria da Cultura do Estado.

Sonho – O Bebelê estimula seis habilidades principais: o interesse pela leitura de livros e outros materiais impressos; a capacidade de ouvir e brincar com os sons das palavras; a ampliação do vocabulário por meio do reconhecimento dos nomes de objetos, conceitos, sentimentos e ideias; a habilidade de contar histórias, descrever situações, narrar eventos na sequência e recontá-los; a lidar com um livro, reconhecer as palavras e apontar as letras em todos os lugares para onde olha; e a identificação das letras individualmente e a percepção de que cada uma delas possui sons e nomes diferentes.

Cada sessão do programa tem duração de até 45 minutos e trabalha uma ou mais das capacidades citadas com a utilização de livros-brinquedos, fantoches, tambores, chocalhos, brinquedos e músicas. Desde o início, atendeu a mais de 3.250 participantes em 480 sessões, que recebem, em média, de 6 a 10 crianças na unidade da Villa-Lobos e de 3 a 5 na Biblioteca São Paulo.

Ao final de cada sessão, pais e cuidadores, se quiserem, podem levar um kit composto de dois livros, fantoche e sacolinha para replicar as atividades em casa. “Levar o Bebelê para mais bibliotecas do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SisEB) é um sonho. O programa foi desenvolvido nos últimos quatro anos na Biblioteca de São Paulo e na Biblioteca Parque Villa-Lobos com a ideia de ser compartilhado. A associação entre Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (Condeca-SP), Instituto Tellus e SP Leituras permitiu que esse objetivo se concretizasse”, afirma Pierre André Ruprecht, diretor-executivo da SP Leituras, organização social responsável pela gestão das Bibliotecas de São Paulo e do Parque Villa-Lobos, instituições mantidas pela Secretaria da Cultura do Estado.

Capacitação – No total, 34 bibliotecas, de diferentes regiões do Estado, inscreveram-se no processo de seleção interessadas no apoio para a estruturação do Programa Bebelê no local. Para a escolha, segundo Letícia, foram realizadas entrevistas e analisados vários critérios. “Entre as condições, foram fundamentais, por exemplo, que a biblioteca ficasse aberta nos fins de semana e já tivesse público na faixa etária atendida pelo Bebelê”, informa.

Para a efetiva implementação do programa, profissionais das dez unidades selecionadas participarão de oficinas de cocriação em São Paulo, nos dias 31 de outubro e 1º de novembro. Orientadas por especialistas do Instituto Tellus, elas englobarão, inclusive, o redesenho do projeto para atualização da metodologia e a inclusão de novos recursos, como tablets. Na sequência, em novos encontros, ocorrerão a capacitação dos integrantes, a distribuição de kits de materiais necessários para a execução das atividades (com tatames, acervo de livros, brinquedos, fantoches, etc.) e de mobiliário, além de visitas da equipe do SP Leituras para a validação de cada projeto construído.

DOE, Executivo I, 04/10/2016, p. III