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USP cria aparelho de baixo custo para exame ocular
6/10/2016

 

A cada cinco segundos uma pessoa fica cega no mundo e uma criança perde a visão a cada minuto. Por ano, 500 mil crianças deixam de enxergar no planeta. No entanto, quase 80% dos casos de cegueira no mundo são evitáveis ou tratáveis.

Para ajudar a mudar essa realidade revelada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), três alunos formados pela Universidade de São Paulo de São Carlos (USP de São Carlos) desenvolveram um equipamento para fazer exames de retina. Vencedor de concurso, o protótipo do retinógrafo portável, que pode ser acoplado a um smartphone, será exibido em Berlim, na Alemanha.

“O tamanho reduzido facilita o transporte do aparelho e o custo menor (dez vezes menos que o preço de R$ 70 mil a R$ 80 mil do retinógrafo de mesa) dará condições às cidades pequenas e às comunidades remotas de dispor do equipamento que, também, poderá ser usado em campanhas de exames preventivos de problemas e doenças oculares”, prevê José Augusto Stuchi, graduado em Engenharia de Computação em curso oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação e pela Escola de Engenharia de São Carlos.

Vencedor – Atualmente fazendo doutorado em Engenharia de Computação na Universidade de Campinas, a Unicamp, Stuchi reforça que o Smart Retinal Câmera (SRC) dispõe de tecnologias que tornam “os exames com boa qualidade técnica (registra fotos da retina) para que o oftalmologista possa fazer o diagnóstico”. E complementa: “Apesar de o País ter mais de 6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual, 85% dos municípios brasileiros não têm oftalmologistas”.

Há dois anos, o pesquisador concebeu o invento em parceria com o engenheiro eletricista Flavio Vieira e com o físico Diego Lencione (também formados pela USP) motivados pelo desejo de criar soluções na área de saúde e por conviverem com o irmão de Diego que tem deficiência visual. Juntos, fundaram a Startup Phelcom (junção de física, eletrônica e computação), em março deste ano, dando seguimento à evolução do projeto, vencedor da etapa nacional do Falling Walls Lab São Paulo.

Menos cegueira – A competição teve 94 trabalhos na disputa para ser escolhido como a ideia capaz de causar alto impacto na sociedade. O final da premiação internacional ocorrerá entre os dias 8 e 9 de novembro (em Berlim); e o trio de inventores concorrerá com 99 vencedores de outros países. Stuchi lembra que o projeto Falling Walls Lab e a cerimônia de premiação celebram a Queda do Muro de Berlim, ocorrida em 9 de novembro de 1989.

Em sua apresentação – que será similar à ocorrida em setembro, em São Paulo, com três minutos de duração e proferida em inglês –, o jovem dará ênfase aos conceitos do equipamento ao representar o Brasil no exterior. “A ideia é mostrar o potencial da inovação para reduzir a cegueira causada por problemas na retina e que pode ser evitada”, destaca Stuchi.

Promissores – “Além de oferecer melhor qualidade de lente óptica (imagem) em relação aos retinógrafos portáveis existentes no mercado (usados em triagem), esse permite coletar o exame (se o paciente estiver acamado, por exemplo) e enviar o resultado (on-line e em tempo real) para médicos e consultórios”, explica Stuchi.

“Outra vantagem é a possibilidade de criação de banco de dados, mapeamento de casos distribuídos pelo território brasileiro e prevenção de doenças por região”, acrescenta o pesquisador.

O invento obteve resultados positivos em testes feitos com uma réplica de olho humano e passou por pesquisa de mercado com 300 oftalmologistas da América Latina. O próximo passo, ainda em tratativas, é fazer pesquisas clínicas para testes em seres humanos dentro da universidade.

Os inventores estão se preparando para obter as três patentes do projeto e licença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir a miniatura do retinógrafo. Eles conseguiram financiamento pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A expectativa de Stuchi é que o protótipo realmente tenha valor dez vezes menor que os convencionais e entre em escala industrial em 2018.

DOE, Executivo I, 06/10/2016, p. II