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Livro exibe objetos manuais em contraponto à massificação
30/01/2012

 

MARA GAMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Misto de reportagem e ensaio, o novo livro da crítica e curadora Adélia Borges reconstrói a história da revitalização do artesanato brasileiro e a participação fundamental de designers neste processo.


"Design + Artesanato - O Caminho Brasileiro" -cujo lançamento ocorre, em São Paulo, nesta quinta- conta experiências como a da Coopa-Roca, cooperativa de moradoras da Rocinha, no Rio, que desde os anos 1980 fornece seus produtos para estilistas, ou de designers como Domingos Totora, Ronaldo Fraga, Mana Bernardes, Renato Imbroisi, Heloisa Crocco e Marcelo Rosenbaum.


Além de atuar diretamente sobre a qualidade ou os processos de fabricação, esses profissionais têm feito o meio de campo entre as comunidades e o mercado, contribuindo na comunicação e na gestão estratégica.


O artesanato está em alta. A autora estima que é uma das cinco atividades que mais contribuem para o PIB do país, com algo como 8,5 milhões de artesãos.


Segunda o texto, é primordialmente uma atividade feminina, feita em grupos e entre famílias.


O mesmo sentimento que revaloriza o "slow movement" (movimento cultural que prega um estilo de vida mais tranquilo, desacelerado) ou a culinária regional contra o fast-food impulsiona o objeto artesanal.


"Vivemos num mundo de massificação, da impessoalidade e desterritorialização. Nesse cenário, os objetos artesanais surgem como contraponto. Em vez da uniformidade e da padronização, são únicos, nunca idênticos. Têm a beleza da imperfeição", escreve Borges.


EXPLORAÇÃO


Mas nem tudo são flores. Apesar de entusiasmado, o livro é crítico em relação à iniciativas de intervenção irresponsáveis e exploração de mão de obra batizada de design social como marketing. Segundo a autora, a integração entre design e artesanato no país é recente.


Em um percurso oposto ao de países como Itália, Inglaterra e Finlândia, em que a concepção dos produtos se beneficiou da tradição artesanal, no Brasil o design teria começado desprezando o trabalho manual.


Adélia Borges atribui a cisão ao forte traço racionalista das escolas que foram implantadas no país, a partir da precursora Escola Superior de Design, de 1963, no Rio.


A concepção do bom desenho universal teria excluído a possibilidade de valorizar o desenho particular, impreciso, de raízes culturais marcadas e sistema de produção arcaico.


"Design + Artesanato - O Caminho Brasileiro" é, enfim, um trabalho original, instigante, repleto de informações nunca antes reunidas, formando um recorte vivo sobre a cultura material do país.


DESIGN + ARTESANATO - O CAMINHO BRASILEIRO


AUTORA Adelia Borges
EDITORA Terceiro Nome
QUANTO R$ 80 (240 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo
LANÇAMENTOS qui. (dia 2), das 19h30 às 22h
ONDE A Casa - Museu do Objeto Brasileiro (r. Cunha Gago, 807, Pinheiros, tel. 0/XX/11 3814-9711)


Fonte: Folha de S.Paulo.Ilustrada