Notícias

Semana USP de Ciência e Tecnologia divulga pesquisas da universidade
19/10/2016

 

A Universidade de São Paulo (USP) realiza, até sábado, 22, a primeira edição da Semana USP de Ciência e Tecnologia, com mais de 70 atividades gratuitas. O objetivo principal é divulgar para um público amplo a produção científica desenvolvida pela universidade.

O evento, coordenado pelas pró-reitorias de Cultura e Extensão Universitária e de Pesquisa, faz parte também da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Os organizadores têm a expectativa de atrair a participação de pelo menos 5 mil pessoas.

O pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, professor Marcelo de Andrade Roméro, explica o foco da Semana: “Aqui, mostramos o resultado da pesquisa feita pelos alunos da USP. Não é um evento que trate de ensino, por exemplo, embora essa área também esteja, claro, ligada à pesquisa na universidade”.

Na capital, a maior parte da programação se concentra no Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP, no câmpus Butantã. Algumas atividades ocorrerão em unidades do câmpus e no Parque de Ciência e Tecnologia da USP (Parque CienTec), na Água Funda. Em Santos, o local será o Monumento Nacional Engenho dos Erasmos.

“A ênfase está na parte de Exatas”, informa Roméro. “Nessa área, em geral, é mais fácil materializar o objeto de pesquisa.” A programação abrange palestras, oficinas, visitas a laboratórios e demonstrações de experiências científicas, além de apresentações artísticas.

Agricultura – No primeiro dia, ontem, um dos temas em discussão foi agricultura urbana. Uma palestra pela manhã reuniu cerca de 60 pessoas para debater as pesquisas desenvolvidas no âmbito do Grupo de Estudos de Agricultura Urbana (Geau), vinculado ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

A médica Thais Mauad, professora da Faculdade de Medicina da USP e integrante do Geau, informou que o grupo, interdisciplinar, foi formado a partir de iniciativa de alunos de pós-graduação da USP e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ao abrir a palestra, Thais alertou para o fato de que agricultura urbana é algo mais amplo do que “fazer horta na sacada do apartamento”. Enfatizando sua importância, apresentou alguns dados: estima-se que 800 milhões de pessoas no mundo gravitam em torno da agricultura urbana, que responde por 20% dos alimentos consumidos no planeta.

Mariana Machini, mestranda em Antropologia Social na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, participou da palestra e considerou positiva a experiência. Sua pesquisa tem como tema as hortas urbanas comunitárias em São Paulo. “Acho imprescindível que a agricultura urbana seja discutida na USP, por ser algo amplo, que engloba política, economia, sociedade, etc.”, disse.

Feira – A professora Thais avalia que a atividade de ontem conseguiu unir uma faceta acadêmica e outra “mais festiva”. “Temos aqui a palestra, que é mais parecida com aulas formais, com cada aluno apresentando sua tese. E juntamos a isso uma feira orgânica, em que as pessoas vieram mostrar seus produtos”, afirma.

Várias barraquinhas estavam montadas no CDI, na feira de orgânicos e produtos saudáveis. O casal Marcos e Rita Cavaliere, juntamente com Magdal Arruda, vendia verduras da horta que cultivam, localizada na Casa Verde, bairro da zona norte da capital.

A barraquinha oferecia também café feito na hora e bolo cremoso de fubá. Há alguns anos, Rita obteve a concessão para cuidar de um terreno de 1,2 mil metros quadrados da Eletropaulo. “Ali começamos a horta, com cultivo agroecológico”, afirma. Marcos garante que o terreno “é um oásis em São Paulo, a três quilômetros do centro da cidade”. Convidados a participar da feira, dizem ter ficado felizes por divulgar o trabalho que vêm realizando.

Robôs – A Escola Politécnica (Poli) traz vários projetos, que serão apresentados diretamente na unidade. No Centro de Engenharia de Conforto da Poli, os visitantes terão a oportunidade de fazer um voo virtual, em cabine pressurizada, com 30 assentos, idêntica a um modelo de aeronave da Embraer.

Também na Poli, no prédio da Engenharia Mecânica e Naval, haverá o simulador de manobra de navio. Da ponte de comando, o visitante poderá acompanhar como são feitas as complexas manobras de um navio de grande porte ao atracar em um porto. Outro destaque são os robôs feitos por alunos da Poli. Um deles é capaz de “enxergar” e perseguir uma pessoa, onde quer que ela vá.

Em Santos, no Engenho dos Erasmos, será realizada uma oficina de arqueologia para adultos; o projeto de física atmosférica, promovido pelo Instituto de Física (IF), discutirá intempéries que podem afetar o clima do planeta; e uma exposição do Instituto de Oceanografia (IO) apresenta seres marinhos das profundezas do oceano e das águas geladas da Antártida. O site do evento (ver serviço) informa dias e horários de cada atividade.

DOE, Executivo I, 19/10/2016, p. I