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São Paulo debate reabilitação, novas tecnologias e acessibilidade digital
12/11/2016

 

Encontrar respostas, fortalecer os conhecimentos clínico e científico e compartilhar as perspectivas para o futuro de uma sociedade inclusiva são os pilares do Encontro de Reabilitação da Rede Lucy Montoro, que começou ontem e segue até domingo, no Centro de Convenções Rebouças.

Paralelamente a esse evento, ocorreu, na sexta-feira, 11, o 8º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, que debateu o potencial de soluções inovadoras para aprimorar, facilitar e tornar ambientes e cidades acessíveis, as chamadas smart cities (cidades inteligentes).

Promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com a Rede de Reabilitação Lucy Montoro, os eventos têm em sua programação palestras, cursos, debates, mesas-redondas e apresentação de soluções tecnológicas. “O atendimento ao paciente no momento de sua necessidade, com qualidade, de modo global e por profissionais qualificados, é o caminho para incluir a pessoa com deficiência na sociedade”, destacou a pasta dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Para todos – “Acostumado a diagnosticar e a tratar, o médico pode ficar menos atento ao benefício potencial que a reabilitação pode trazer ao paciente”, diz o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), José Otavio Costa Auler Júnior. “A reabilitação (motivada por doença ou trauma) traz a inclusão, o bem-estar e o acolhimento.” O médico fisiatra da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, Daniel Rubio de Souza, salientou a importância “de o paciente poder viver com aquilo a que tem direito”.

Ao discorrer sobre a importância de criação de um protocolo de reabilitação na área da saúde, Souza fez um prognóstico: “Que as diferenças deixem de ser impactantes e possam ser reduzidas ao ponto de a pessoa com deficiência ter oportunidades iguais a todos”. Entre as vantagens enumeradas pelo médico fisiatra estão a melhoria de práticas clínicas ao estabelecer linguagem padronizada e rotina de trabalho, facilidade na hora da tomada de decisão e aperfeiçoar a qualidade da assistência, dando segurança e satisfação aos pacientes.

Super-humanos – A coordenadora do Centro de Pesquisa Clínica do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da FMUSP, Marta Imamura, destacou a importância de “a pessoa com deficiência receber tratamento adequado oferecido por profissionais qualificados para evitar sequelas e atingir o máximo de funcionalidade”. Para enfatizar, exibiu imagens das conquistas dos atletas nos Jogos Paraolímpicos 2016, com os dizeres e a música Yes, we can (Sim, nós podemos) e os chamou de “super-humanos”.

O conselheiro Ruy Yukimatsu Tanigawa, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo – CRM-SP, frisou que “o comprometimento de profissionais (que lotaram o auditório) é fundamental para dar assistência à pessoa com deficiência”.

No evento, foi criado o Comitê de Gestão da Rede de Habilitação Lucy Montoro para subsidiar decisões técnicas e gerenciais relacionadas à administração da instituição.

Câncer e zika – Marta reforçou a necessidade de integrar evidências científicas e pesquisas à assistência ao paciente ao discorrer sobre a Síndrome Zika Congênita e a Iniciativa Global de Reabilitação em Câncer. “A detecção precoce, prevenção da doença e reabilitação são fundamentais, tendo em vista o crescente número de casos e o aumento da gravidade”. Alertou sobre o risco potencial de a síndrome zika evoluir e piorar com o tempo e que, por isso, é “fundamental tomar medidas preventivas”.

Pioneira na América Latina, a Iniciativa Global de Reabilitação em Câncer foi lançada em outubro pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Uma das diretrizes é oferecer mais qualidade de vida aos pacientes com deficiência e auxiliá-los a viver de uma forma mais plena e independente possível. “Vai ajudar o paciente a atingir o máximo de seu potencial físico, funcional e psicológico ao longo da vida”, avalia Marta.

Soluções – De acordo com Renata Beltrão, da Coordenadoria de Comunicação e Imprensa da Secretaria da Cultura, a parceria entre as secretarias da Cultura e dos Direitos da Pessoa com Deficiência ampliou a oferta de modalidades de acessibilidade e de locais acessíveis. Cita a Galeria Tátil, audioguias, vídeo em Libras, legendas em braile e em autorrelevo da Pinacoteca do Estado de São Paulo e, ainda, os programas oferecidos para esse público pelo Museu do Futebol, Museu da Casa Brasileira e Museu Afro-Brasil.

Ela menciona também a Tactography, impressão 3G de fotografias, desenvolvida por Gabriel Bonfim e exibida no Museu da Imagem e do Som (MIS), os espetáculos acessíveis encenados no Theatro São Pedro, as bibliotecas acessíveis (Parque Villa-Lobos e de São Paulo) e as Fábricas de Cultura. “Na música, há cursos para pessoa com deficiência intelectual, auditiva e visual”, lembra. Destaca ainda que “100% das apresentações” da SP Cia. De Dança são acessíveis e dispõem de aplicativos por celular para a pessoa escolher o recurso de que necessita.

Na área de saúde e reabilitação, profissionais especializados debateram questões relativas à dor incapacitante, esporte adaptado, lesão medular, órteses e próteses, cadeira de rodas, terapia com metas funcionais, entre outras. Paralelamente, foram abordadas soluções tecnológicas para melhorar a utilização do espaço urbano, acesso aos produtos e serviços (públicos e privados) por pessoas com ou sem deficiência. Houve também a apresentação da Cartilha acessibilidade na web – W3C Brasil.

Inclusão – As palestras, mesas-redondas e debates dos eventos são mediados com o uso de recurso de comunicação inclusiva. A assessora de Culturas para Gêneros e Etnias da Secretaria da Cultura do Estado, Silvana Pereira Gomes, ressalta “que não é caro fazer a acessibilidade comunicacional e ampliar o acesso a todos os públicos”. Ela informa que para obter o Selo de Acessibilidade Comunicacional, criado pela pasta da Cultura em 2014, basta ter uma linguagem acessível.

DOE, Executivo I, 12/11/2016, p. IV