Notícias

Educação de SP investe na gestão democrática
22/11/2016

 


Já é hora do almoço, mas, como ocorre pelo menos uma vez por semana, um grupo de alunos da Escola Estadual de Tempo Integral Reverendo Tércio Moraes Pereira, em São Miguel Paulista, zona leste da capital, adia um pouco a refeição para comparecer a um encontro. “Aproveitamos o intervalo para fazer a nossa reunião, assim os alunos não perdem atividades em classe”, explica a diretora da unidade, Maria Elena Prado.


EE Tércio Moraes Pereira, de São Miguel Paulista, zona leste, vai responder ao questionário on-line e contribuir para atualizar a legislação de Grêmio, Associações de Pais e  Mestres e Conselho Escolar


O compromisso que motiva os participantes a driblarem a fome é com a gestão participativa da escola, pois eles são líderes e vice-líderes das 13 salas de ensino médio e foram escolhidos para representar os colegas nas conversas com a diretora ou outros integrantes da diretoria sobre o andamento das atividades.


Século 21 – “O tema tratado varia bastante. No encontro anterior, falamos sobre o Saresp, as nossas metas e, ainda, as reuniões de pais. Abordamos tudo o que ocorre de relevante”, diz a aluna do 3º ano A, Gabriela Regina Santana, de 17 anos.


Trata-se de uma enquete on-line que a Secretaria da Educação do Estado publicou no seu portal (ver serviço) para apurar a opinião e as sugestões dos alunos, seus pais ou responsáveis, educadores e funcionários, das cerca  de 5 mil escolas da rede estadual, sobre Grêmio Estudantil, Conselho de Escola e Associação de Pais e Mestres. “São os três espaços de participação da comunidade nas decisões sobre os rumos das unidades”, informa Maria Elena.


O questionário é a primeira de uma série de iniciativas programadas para ocorrer até agosto do ano que vem com vistas à atualização da legislação estadual referente às ações participativas na rede escolar. “Ele integra um processo que busca o fortalecimento e a modernização dos espaços democráticos na escola, para que a comunidade vinculada a cada uma das nossas unidades possa ser protagonista dos desafios da educação pública do século 21”, esclarece o coordenador do Projeto Gestão Democrática da secretaria, Wilson Levy.


Protagonismo – A presidente do Grêmio Estudantil da escola de São Miguel avalia que o questionário é um instrumento importante de orientação e aperfeiçoamento. “É o primeiro ano da nossa entidade, e vamos poder saber como as pessoas estão vendo o nosso trabalho e o que fazer para melhorar”, diz Gabriela Miranda.


Ela considera a nova responsabilidade uma forma intensiva de aprendizado e a oportunidade de desenvolver uma vocação. “Quando temos um instinto, se pudermos fazer algo, devemos tentar”, afirma. Para ela, gestão democrática não é somente ouvir, mas refletir e levar em consideração o que é do interesse do grupo. “Além de verificar o que é possível fazer”, destaca a estudante.


Assim como ocorre em todas as unidades de tempo integral da rede, o protagonismo juvenil é uma das principais potencialidades trabalhadas na Reverendo Tércio. Desde que ingressam na unidade de ensino, os alunos deparam com atividades que requerem iniciativa e opinião.


Extras – “Quem tem muita vergonha perde logo no começo. Acho uma grande oportunidade, pois existem muitas escolas que não buscam esse lado do aluno”, opina o estudante do 2º ano, Ícaro Silva, de 17 anos.


Para ele, a liderança de classe permite que o grupo se integre e pense no que é melhor para o aprendizado e para a convivência. “Faz todos ficarem mais ligados”, avalia. Além de atuar como representante, o jovem participa de outros dois espaços abertos na instituição para que os estudantes possam conduzir as ações: o Acolhimento e o Clube Juvenil.


No primeiro, alunos dos 2º e 3º anos responsabilizam-se pela criação de atividades ara aqueles que estão chegando. O segundo espaço, por sua vez, é considerado uma possibilidade de descontração e dedicação a interesses específicos. “Eu criei o clube da horta”, conta Ícaro.


Segundo a diretora, as atividades extras permitem a promoção de um desenvolvimento mais amplo, com aumento do comprometimento e da aproximação entre os jovens. “Comecei a ser líder nesse ano”, diz Débora Nascimento, de 17 anos. “Gosto muito, porque percebo que a minha ação tem reflexo nas notas de todos”, destaca ela, que assume a função de incentivadora dos colegas do 3º C.


Integração – Jaqueline Cabral, de 16 anos, reforça a sua opinião. “Como ficamos mais unidos, quem tem mais facilidade em uma matéria acaba ajudando os que não têm e todos melhoram”, diz a líder do 2° B. “O diálogo com o colega complementa a explicação do professor”, acrescenta o vice-líder da mesma turma, Gustavo Alexandre de Menezes.


Para Wallace Souza, de 17 anos, a junção do trabalho dos líderes com o dos grêmios resulta em muitas vantagens: “Traz melhorias e amadurecimento”, considera. “E nos garante várias possibilidades de sermos protagonistas, porque logo nos primeiros anos passamos por dinâmicas de integração”, emenda a líder da turma de acolhedores, Camila Ferreira, de 17 anos.


Tendo ingressado neste ano e atuando na representação da turma, Maria Eduarda da Silva e Lucas Batista, ambos de 15 anos, dizem ter ficado surpresos com as práticas da unidade. “Aqui, diretoria, coordenadoria e alunos estão unidos e empenhados para fazer a escola funcionar. Com isso, vemos as coisas irem para frente e nos sentimos mais preparados para enfrentar o mundo”, orgulha-se Lucas. “Quem é líder ganha experiência para usar lá fora”,


Para visualizar o Questionário sobre Gestão Democrática, acesse o portal da Secretaria da Educação, http://www.educacao.sp.gov.br/ conclui Maria Eduarda.


DOE, Executivo I, 22/11/2016, p. IV