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O preconceito em debate nos museus de São Paulo
24/11/2016

 


Foi lançada ontem, 23, no auditório da Secretaria da Cultura do Estado, a segunda edição da ação Sonhar o Mundo 2016. Tendo como tema “Enfrentando nossos preconceitos”, a iniciativa ocorre entre 5 e 11 de dezembro, com programação diversificada em 19 instituições culturais mantidas pela pasta.


Para celebrar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, Secretaria da Cultura lança a ação Sonhar o Mundo, com palestras, exposição e filmes para conscientizar as pessoas sobre discriminação, violência e diversidade cultural


Destaque para cinco desses museus, com temas ligados aos direitos humanos – Imigração, Afro Brasil, Museu Índia Vanuíre, Memorial da Resistência e Museu da Diversidade Sexual –, que promovem palestras sobre imigrantes, direitos humanos e o enfrentamento do preconceito e do racismo. Em Tupã, o Museu Índia Vanuíre vai exibir o documentário Nossas terras, da série Índios no Brasil, que aborda os problemas na demarcação de terras indígenas.


O Museu da Diversidade Sexual, localizado na Praça da República, na capital, terá ação em parceria com a Comissão da Diversidade Sexual e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Secção de São Paulo, com objetivo de esclarecer dúvidas a respeito dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros (LGBT) e fazer o encaminhamento para rede de proteção pública de Direitos Humanos.


Reflexão O diretor do museu, Franco Reinaudo, lembra que iniciativas como essas costumam sensibilizar as pessoas para o tema, como no caso da parceria com a OAB e a Comissão da Diversidade Sexual. “O museu existe há quatro anos e temos avançado bastante”, diz Reinaudo.  “Embora ainda ocorram algumas reações contrárias, consideradas normais, num processo de busca de visibilidade”.


Para a diretora dos museus Índia Vanuíre, Casa de Portinari (em Brodowski) e Felícia Leirner (em Campos do Jordão), Angélica Fabbri, esses assuntos sempre vão estar em pauta “e os museus devem estar sempre abertos como um espaço de reflexão, de transformação das pessoas e do mundo”.


Angélica lembrou, ao lado de Andressa dos Anjos de Oliveira, pesquisadora e documentarista do Centro de Referência do Museu Índia Vanuíre, a programação cuidadosamente planejada para a ação Sonhar o Mundo. “Serão três dias de palestras com temática indígena, além dos direitos do negro na constituição brasileira. Temos combatido fortemente o preconceito contra os indígenas.”


Respeito A coordenadora de museus da Secretaria da Cultura, Renata Motta, explica o tema escolhido para ilustrar a ação Sonhar o Mundo: “O preconceito está presente nos mais variados contextos. E precisa ser não apenas identificado, mas compreendido e debatido em espaços de diálogo e memória, permitindo a construção de relações sociais com mais respeito à diversidade”. Segundo Renata, a expectativa para 2017 é a participação de todos os museus do Estado – aproximadamente 500 espaços culturais espalhados pela capital e interior. Além de Renata, também fez parte da mesa que lançou a campanha a assessora de cultura para gêneros e etnia, Silvana Gimenes. Ela enfatizou o papel social dos museus e lembrou  que a ideia precisa ser disseminada, a fim de diminuir barreiras e juntar pessoas.


Emocionada, Silvana comenta que “preconceito é algo sem explicação; e falar em direitos significa que deveríamos ter direitos iguais. As pessoas não nascem preconceituosas nem racistas”.


#XôPreconceito – Mais adiante, a assessora lembrou que o preconceito e o racismo ganharam novo aliado, hoje, “que é a internet, pela qual muitos são achincalhados, de todas as formas”. Silvana mencionou a ONG SaferNet Brasil, dedicada à defesa dos direitos humanos na web, que recebeu, apenas no ano passado, quase 90 mil denúncias sobre racismo (55.369), homofobia (4.252), intolerância religiosa (3.626), neonazismo (1.283), xenofobia (5.536) e apologia ou incitação à violência (19.839). No levantamento não foram    acrescentadas as ofensas pessoais, outra espécie de injúria no meio digital.


Para abordar o tema central nas mídias sociais, os 19 museus da Secretaria da Cultura irão publicar postagens com a hashtag #XôPreconceito, com frases de música ou da literatura, vídeos produzidos com visitantes ou funcionários do museu, imagens do acervo relacionadas ao assunto, e outros conteúdos. Os internautas também serão incentivados a postar suas histórias pessoais, de como sofreram ou causaram discriminação e o que fizeram para enfrentar tais situações.


DOE, Executivo I, 24/11/2016, p. I