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Edifício da Biblioteca Brasiliana ganha prêmio latino-americano
24/11/2016

 


O projeto arquitetônico da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi um dos três vencedores da 1ª edição do Prêmio Oscar Niemeyer, criado pela Red de Bienales de Arquitectura de América Latina (Redbaal) para reconhecer o melhor da produção arquitetônica dos países da região.


Concebido para abrigar o acervo doado por Guita e José Mindlin à USP, o projeto de arquitetura obteve o segundo lugar na 1ª edição do Prêmio Oscar Niemeyer


A obra de 20.950 metros quadrados, concebida por Rodrigo Mindlin Loeb e Eduardo de Almeida para abrigar o acervo de 17 mil títulos e 40 mil volumes doados à Universidade de São Paulo (USP) pelo empresário e bibliófilo José Mindlin (1914-2010), ficou com a segunda colocação, entre 20 finalistas.


A premiação aos vencedores ocorreu em Quito, Equador, no dia 16, em cerimônia que integrou a 20ª Bienal Panamericana de Arquitectura de Quito. O Lugar da Memória, espaço projetado por arquitetos do Escritório Barclay & Crousse, localizado em Miraflores, distrito de Lima, Peru, ficou com o primeiro lugar.


Experiências – A terceira colocação foi conquistada pela Capela San Bernardo, na Argentina, criada por Nicolás Campodonico. “O mais importante dessa conquista é figurar como representante do Brasil em um grande encontro da arquitetura latino-americana. Trata-se de uma oportunidade especial de integração e intercâmbio de experiências nesta área, entre países vizinhos”, ressalta Loeb, que recebeu o pedido de realização do projeto da biblioteca do próprio Mindlin, seu avô. Almeida também aceitou o convite do colecionador, seu amigo.


Segundo o arquiteto, os responsáveis ela seleção demonstraram fazer questão de destacar projetos de distintas escalas, que têm em comum a presença do concreto, característica significativa na produção da arquitetura latino-americana.


“Acredito que buscaram valorizar culturas e identidades locais, conforme a trajetória da arquitetura de cada país”, avalia. Sobre o complexo inaugurado em 2013, 13 anos depois do início de sua concepção, diz que foi a concretização de um sonho. “O grande desafio agora é a manutenção dos sistemas operacionais, pois neste momento a USP enfrenta uma situação de falta de recursos que pode dificultar a conservação do prédio de maneira adequada”, destaca Loeb.


Inspiração – Localizado no coração da Cidade Universitária, no Butantã, o edifício da Brasiliana USP reúne, além da Biblioteca Guita e José Mindlin, o Instituto de Estudos Brasileiros, o Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da Universidade de São Paulo e uma Biblioteca Central de Obras Raras e Especiais da USP.


Com espaços ligados por uma grande cobertura central de vidro laminado, que permite a entrada de luz natural, e é dotada de filtros UV para proteger os livros de radiação solar direta, a obra foi inspirada em conceituadas bibliotecas de outros países, como a Beinecke Rare Book & Ma nuscript Library (Biblioteca Beinecke  de Manuscritos e Livros Raros), da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e a Biblioteca de Sainte-Geneviève, em Paris, na França.


Os 4 mil metros quadrados de área de acervo contam com sistema de arcondicionado e controle de umidade e monitoramento por câmeras e sensores para garantir a conservação e a gestão adequadas das obras, conforme diretrizes da Library of Congress (Biblioteca do Congresso), de Washington, que foi consultada pelos arquitetos.


Receptivo De acordo com o arquiteto, uma das preocupações ao idealizar o projeto foi integrar os livros de maneira harmônica ao desenho do espaço. “Não queríamos que fosse somente um depósito para guardar o acervo”, conta. “A proposta foi estender à biblioteca a atmosfera da casa dos meus avós. Para isso, pusemos nela os mezaninos metálicos que existiam lá. Ao mesmo tempo, pensamos em criar um ambiente completamente público, aberto e receptivo, que convidasse as pessoas”, relata.


Nesse intuito, uma praça coberta articula passagem pública livre que dá acesso ao auditório para 300 pessoas, livraria, cafeteria, restaurante e sala de exposições, além das outras áreas. O paisagismo no entorno da edificação foi planejado para resultar num bosque. A ealização da obra abrangeu o remanejamento de algumas árvores, replantadas om sucesso. A construção também foi compensada com o plantio de milhares de mudas no bairro do Butantã.


O custo total da construção foi de aproximadamente R$ 130 milhões, provenientes de recurso orçamentário da USP, do apoio de instituições, como o Ministério da Cultura, Fundação Lampadia e BNDES, e patrocínio (por meio da Lei Rouanet) da Petrobras, Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), Fundação Telefônica, Suzano Papel e Celulose, Votorantim, Grupo Santander, Raízen, Cosan, Natura e CPFL.


Premiação bienal


O Prêmio Oscar Niemeyer de Arquitetura Latino-Americana foi criado como uma das iniciativas fundamentais da Rede de Bienais de Arquitetura da América Latina para e conhecer o melhor da produção arquitetônica no momento de uma indiscutível potencialização da presença da arquitetura latino-americana no contexto internacional.


O prêmio leva o nome de Oscar Niemeyer pelo fato de o brasileiro ser reconhecido como um dos mais influentes arquitetos da América Latina e ter sua obra valorizada não apenas no País, mas em todo o mundo, e tem o apoio da Fundação Oscar Niemeyer, com a qual a Redbaal firmou acordo de cooperação interinstitucional em novembro de 2014.


A premiação destacará, a cada dois anos, projetos arquitetônicos de obras já construídas. Os critérios de seleção abrangem o caráter exemplar do projeto, além de seus aspectos visuais, tecnológicos, sociais, culturais e ambientais.


DOE, Executivo I, 24/11/2016, p. IV