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Roteiro dos Bandeirantes: aventura e atrações turísticas para todas as idades
30/11/2016

 


Quem circula pelas ruas calmas das cidades que integram o  Roteiro dos Bandeirantes não imagina que desses locais partiram expedições de famílias inteiras para desbravar terras distantes. Nomes como Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera,    e Fernão Dias Paes Leme, “O Caçador de Esmeraldas”, saíram à procura de pedras preciosas, mão de obra escrava e tudo o mais que poderia enriquecê-los.


Integrado por nove cidades, oferece ao turista centros históricos preservados, reservas ambientais e trilhas  ecológicas, além de grande diversidade gastronômica


O Roteiro dos Bandeirantes tem 180 quilômetros de extensão, inicia-se em Santana de Parnaíba e passa por Pirapora, Araçariguama, Cabreúva, Itu, São Roque, Salto, Porto Feliz, até chegar à cidade de Tietê.


Próximas da capital (ver quadro), essas cidades têm centros históricos preservados, reservas ambientais e trilhas ecológicas. Atualmente, oferecem grande diversidade gastronômica, como paçoca de carne, sopa de milho verde com cambuquira, porco ou boi no rolete, além do artesanato com os “cabeções” (bonecos gigantes que saem em procissões e festejos tradicionais), ou de barro, argila e pedra e a apreciada cachaça artesanal.


A região promove também eventos, como o drama da Paixão de Cristo, procissão de Corpus Christi, Festa do Bom Jesus de Pirapora, Festa de São Benedito de Tietê, Saída das Monções e romarias. Por isso, o Roteiro dos Bandeirantes oferece atrações para todas as idades  opções para vários fins de semana ao longo de todo o ano.


As cidades são pouco distantes uma das outras, o que permite ao turista conhecê-las em apenas um fim de semana. Itu, São Roque e Salto são estâncias turísticas e recebem, todos os anos, investimentos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE), da Secretaria de Turismo, para melhoria da sua infraestrutura turística.


Santana de Paranaíba – O município reúne o maior conjunto arquitetônico tombado e preservado do Estado de São Paulo – 209 edificações que remetem a quatro séculos de história.


O destaque fica para a Casa do Patrimônio, situada no Largo São Bento, 80, no centro. É um casario do século 17, erguido em terras doadas aos beneditinos pelo capitão André Fernandes (1578-1641). Considerada o marco mais importante da cidade, a Igreja Matriz de Santana, construída no século 19, em estilo eclético, possui piso de canela preta e altares que acompanham a antiga liturgia, anterior ao Concílio do Vaticano II (1961).


O local se transforma durante feriados religiosos católicos – Páscoa, Corpus Christi e Festa do Divino. Na celebração de Corpus Christi, as ruas centrais de Santana de Parnaíba são cobertas por tapetes feitos de serragens e flores.


Pirapora O nome Pirapora tem origem tupi e significa pulo do peixe. Sua história teve início em 1725, quando os pescadores encontraram a imagem de madeira de Bom Jesus (santo padroeiro da cidade) apoiado em uma pedra às margens do Rio Anhemby (hoje, Rio Tietê). Atualmente, a imagem encontra-se exposta na Igreja Matriz.


O Santuário do Bom Jesus ou Igreja Matriz de Pirapora do Bom Jesus nasceu da necessidade de um espaço para a celebração de missas, pois o local era considerado ponto de parada de missionários e romeiros. Construído seguindo arquitetura jesuíta, tem em sua fachada estátuas de São Pedro e São Paulo. Bastante visitado, no local concentram-se lojas, lanchonetes e restaurantes. Nos fins de semana, várias barraquinhas comercializam artigos religiosos e doces caseiros.


Atrás da Igreja Matriz, fica o imponente Mosteiro de São Norberto, com um pequeno museu de mesmo nome e uma pequena gruta. É preciso estar em boas condições físicas para subir os 113 degraus que levam até o local, de onde vislumbra-se toda a cidade. 


No Museu São Norberto é possível admirar vários itens religiosos e históricos, que impressionam pela riqueza de detalhes. São belas peças de madeira trabalhada, estátuas de mármore e vitrais de mosaico colorido.


Araçariguama O primeiro registro bandeirante no Estado de São Paulo ocorreu em 1590, quando Affonso Sardinha, capitão-mor de São Paulo de Piratininga, encontrou ouro de lavagem nas proximidades do Morro do Voturuna. Mas não apenas de turismo religioso e histórico vive Araçariguama. Na cidade, os amantes dos esportes radicais, como paraglider, têm no Morro Mombaça, com 984 metros de altitude, condições favoráveis ao voo.


No verão, o turista pode tomar um banho refrescante na Cachoeira do Rio Acima, com suas duas quedas d´água – a maior tem três metros e, ao cair, forma uma piscina natural.


São Roque Opção para aqueles que gostam de boa comida acompanhada de vinho. Visitas às adegas, incluindo pisa de uvas nos finais de semana, tornam São Roque a preferida para quem deseja fazer um passeio com a família. 


Abriga edificações bandeiristas em excelente estado de conservação. Os prédios que formam o Sítio Santo Antônio (casa e capela de Santo Antônio) foram erguidos pelo bandeirante Fernão Paes de Barros (?- 1709). O local, com mata nativa intacta, leva o visitante a um passado distante, no qual a disputa por terras e pela mão de obra indígena eram fatos corriqueiros. 


Construída em 1681, a capela de Santo Antônio apresenta detalhes interessantes, como os anjos entalhados nas paredes e querubins com aparência indígena. A Igreja Matriz de São Roque foi construída no século 17 e é considerada uma das mais belas do Brasil.


Cabreúva Situada na região sudoeste do Estado de São Paulo, é, por sua localização, uma boa opção de turismo ecológico e de aventura. Encravada em uma área de preservação ambiental, com muitas cachoeiras, grutas, trilhas para passeios a cavalo e pesqueiros, tem como atrativo de maior destaque a Serra do Japi. Para os apreciadores de cachaça, uma visita aos inúmeros alambiques e engenhos é imprescindível.


Seu Centro Histórico abriga a Igreja Matriz, considerada marco histórico. A construção, datada de 1856, foi erguida em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, padroeira do município. 


Itu A lenda de que tudo em Itu é grande começou com o comediante Francisco Flaviano de Almeida (1916-2004) em um programa de TV. Com seu personagem Simplício, em A Praça é nossa, nos anos 1960, a pequena cidade foi ainda mais divulgada. 


A história acabou sendo levada a sério. Os ituenses gostaram da brincadeira e instalaram um telefone público e um semáforo gigantes na Praça Padre Miguel. De lá para cá, o turismo se fortaleceu, mas não somente pelo gigantismo, pois a cidade possui diversos monumentos históricos, igrejas, museus e fazendas. Fundada por bandeirantes, em 1610, também ficou conhecida como a Roma brasileira, por causa do luxo dos casarios, todos com muito mármore, que podem ser vistos na Praça da Matriz.


Outro destaque é o Museu Republicano Convenção de Itu. O prédio, residência da família Almeida Prado, sediou, em 1873, a Convenção de Itu, reunião que efetivou as bases do Partido Republicano Paulista.


A Fábrica São Luiz é outro ponto de interesse. Transformada em espaço de eventos, foi a primeira fábrica de tecidos movida a vapor do Estado. Lá ainda estão as caldeiras que funcionaram até 1982.


Salto – Próxima a Itu, um dos atrativos da cidade é o Parque Rocha Moutonnèe, o primeiro ecológico e geo-histórico do continente. Da praça Dr. Archimedes Lammoglia, no centro, pode-se avistar as cachoeiras de Salto, por onde passa o Rio Tietê com sua maior queda d’água.


No século 20, a maioria dos viajantes que passava por São Paulo e Itu ia até Salto de Itu para apreciar as cachoeiras. No século 19, o imperador Dom Pedro 2º visitou-as por duas vezes. A cidade tinha o nome de Salto de Itu até 1917, quando foi tirado o aposto Itu.


Porto Feliz – Na bucólica cidadezinha, onde as horas passam mansamente, atrações históricas não faltam, como o Parque das Monções, localizado à margem esquerda do Rio Tietê, no local exato de onde partiam, nos séculos 17 e 18, expedições monçoeiras para as regiões auríferas recém-descobertas nos Estados de Mato Grosso e Goiás.


Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), é um espaço construído para a celebração da memória de um glorioso capítulo do bandeirismo paulista.


Inaugurado em 1920, é composto por grande área verde, formada ao redor do antigo Porto de Araritaguaba, pelo Monumento aos Bandeirantes, por um paredão salitroso, pela Gruta Nossa Senhora de Lourdes (construída na rocha em 1924) e por uma grande escadaria que dá acesso ao parque.


O paredão salitroso é um monumento natural formado por rocha salitrosa, calcário e arenito. No parque, também é possível avistar uma canoa feita de tronco, com quase 30 metros de comprimento. A Gruta Nossa Senhora de Lourdes, localizada no Parque das Monções, foi construída em homenagem à santa no ano de 1924.


Saindo do parque, uma volta ao tempo de ser feita a pé pelas ruas de prédios históricos, como a Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, construída em 1750. Em estilo barroco, foi erguida em taipa. As paredes do altar-mor são recobertas por azulejos pintados pelo artista italiano Bruno de Giusti. As pinturas retratam as principais passagens da história de Porto Feliz.


Partindo dali, com apenas 15 minutos de caminhada, chega-se à Antiga Estação Sorocabana. Sua construção, em estilo inglês, data de 1920. A Estrada de Ferro Sorocabana foi desativada em 1960. Restou o prédio da antiga estação, onde atualmente funciona a Biblioteca Municipal.


Tietê Charmosa, a cidade possui centros históricos preservados, reservas ambientais e trilhas ecológicas. Tradicionalmente católica, foram erguidas dezenas de igrejas e capelas, muitas delas centenárias, com arquiteturas clássica, barroca e contemporânea.


Ainda no circuito das igrejas, destacam-se a Matriz e a Capela de São Benedito, onde está guardada uma relíquia selada pelo Vaticano (o fragmento de unha de São Benedito). Outro marco da história do município é a Pedra do Curuçá, fincada a 500 metros do ponto principal na margem esquerda do Rio Tietê. Nela está esculpida uma cruz com os dizeres Sic transit glorie mundi (“Assim passa a glória do mundo”), que deu origem a uma lenda enraizada nos grandiosos dramas do bandeirantismo.


DOE, Executivo I, 30/11/2016, P.III