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Memorial da Inclusão promove ações educativas para 17 mil pessoas
30/11/2016

 


Uma tarde no Memorial da Inclusão foi o programa especial de 35 alunos da Escola Estadual Professora Indiana Zuycher Simões de Jesus, localizada em Itaquera (zona leste da capital) nesta segunda-feira, 28. “Fiquei curiosa para saber como é o museu e vim aprender o que ainda não sei”, diz Aicha Cristine Rodrigues de Oliveira, 11 anos, após fazer selfies e inspecionar o local, sede da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Especialistas do Memorial montam, previamente, as ações educativas de acordo com o grupo a ser recebido e coordenam as atividades.


A distância ou presencial, atividades incluem cursos, palestras, rodas de conversa, exposição, ofi cina e visita guiada


“Estavam com muitas expectativas por desconhecerem o Memorial da Inclusão e ainda ser novidade a temática da deficiência”, explica Simone Aparecida Flausino, uma das cinco professoras que acompanhavam as turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Sem perder tempo, Miguel Lopes, 7 anos, testa a cadeira de rodas, disputada pela criançada. “Queria andar um pouco. É legal.” Outros se revezam em experimentar a bengala e brincam com bonecos com deficiência. “O lúdico e a linguagem acessível para cada faixa etária são o diferencial dessa ação educativa”, salienta a gerente do Memorial da Inclusão, Crismere Gadelha.


Enquanto a maioria procura explorar o ambiente, o conteúdo histórico da exposição permanente e as possibilidades de interação, Vitor Gabriel Augusto da Costa, 14 anos, concentra-se em tatear os quadros da exposição temporária Despertar a criatividade – Jogos Paralímpicos, que dispõe de recursos táteis para pessoas com deficiência visual. A diversão do garoto é identificar a bola nas telas e sua vontade é aprender a “ler os furinhos” (braile). Não apenas para ler as legendas da exposição, mas para “entender tudo”.


Itinerante “A visita guiada pelo local ocorrerá com todos os grupos”, informa a gerente. Até o final de 2017, o museu acolherá duas turmas por dia, com 40 alunos em média, de segunda a sexta-feira. O formato presencial será replicado em oito cidades com exposição itinerante (ficando em um local por um período de 12 a 15 dias) e haverá deslocamento de equipes educativas para atender grupos de alunos e educadores, previamente organizados pelos municípios. Juquiá e Miracatu estão entre  essas cidades. Serão atendidos 12 mil estudantes de escolas públicas, das redes estadual e municipal, e mil professores. Dividida em grupos menores, a criançada é posta para relaxar ou em rodas de conversa. Numa delas se fala sobre o significado das palavras, por exemplo, incluir e acessibilidade. Após mostrar o piso tátil e suas funcionalidades, a monitora pergunta aos alunos onde viram o auxílio na locomoção para cegos. Metrô, trem e shopping center foram citados. Na outra roda de conversa, Juliane Duarte explica que a pessoa com deficiência auditiva “não fala porque não ouve” e propõe a brincadeira “telefone sem fio” para mostrar que a comunicação falada “tem falhas”.


Sala dos Sentidos Juliane explica que boa parte da comunidade surda se comunica pela Língua Brasileira de Sinais (Libras) e faz o gesto de borboleta voando, que simboliza o Memorial para Inclusão. Allison Trindade ensina a meninada a falar o próprio nome em Libras. A primeira a aprender os sinais foi Mariana Gabriel de Souza, 8 anos. A menina contou ter uma irmã, de 15 anos, que nasceu “tetraplégica e andava de cadeira de rodas. Ela aprendeu a arremessar com as mãos e a se apoiar na minha mãe para andar. Brincamos de boneca, supermercado”.


Na oficina com argila, Alisson Reis de Oliveira, 7 anos, lutava para dar forma à massinha. Bianca Marques, 9 anos, rapidamente cumpriu a tarefa de amassá-la no formato da “carinha” do amigo. Sorridente, molha as mãos e põe-se a manusear outra porção de argila. Somente fecha o semblante quando fala da Sala dos Sentidos – espaço sensorial com sons, objetos e texturas para experimentar tato, visão e audição. “Muito escura, todos gritaram e alguns ficaram me assustando. Chorei um pouco.” Outros colegas dizem ter gostado da experiência.


A distância Estão incluídos na programação da turma desenho no escuro (com olhos vendados) e lanche da tarde. “O atendimento presencial para professor e aluno era uma demanda da sociedade em tratar a diversidade e a inclusão. Estamos fazendo com ‘pegada’ educativa e lúdica e com nossos especialistas em história, música, antropologia”, destaca Crismere.


A outra vertente das ações educativas são as aulas a distância direcionadas a funcionários públicos que têm relação direta com a população. O curso Direitos da pessoa com deficiência: Igualdade e diversidade humana começa em janeiro e atenderá a 4 mil inscritos. Estão programadas quatro edições. Somando-se as atividades presenciais e as edições do curso a distância serão contemplados 17 mil paulistas.


A gerente destaca que o projeto de ações educativas começou a ser concebido em comemoração aos cinco anos de existência do Memorial da Inclusão. Inscrito em 2013 como programa social com retorno para a sociedade, o projeto foi selecionado para ser custeado pelo Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FID), da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania. “Estamos atendendo à demanda crescente por conhecimento especializado na questão da deficiência e com uso de linguagem apropriada.”


DOE, Executivo I, 30/11/2016, P.IV