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Uso abusivo de tecnologias leva a transtorno
01/12/2016

 


O uso abusivo de celular, computador, tablet e outras ferramentas eletrônicas provoca problemas de saúde conhecidos como síndrome do olho seco, lesão de esforço repetitivo (LER), desvios da postura corporal, além de transtorno de controle do impulso.


Instituto de Psiquiatria do HC oferece assistência médica gratuita a jovens maiores de 18 anos; não há fi la de espera; apoio da família é fundamental


“Se, por causa do acesso à internet, a pessoa deixa de desenvolver atividades ligadas à sua rotina, não sai mais com os amigos, troca a noite pelo dia, não se alimenta adequadamente nem se preocupa com a higiene pessoal, a situação pode ser indício de dependência de internet, que recebe o nome de transtorno de controle do impulso”, alerta a psicóloga Sylvia van Enck Meira, do Programa Ambulatorial dos Transtornos do Impulso (PROAmiti), do Instituto de Psiquiatria (IPq).


Entre crianças e adolescentes, as informações on-line sem o monitoramento dos pais podem originar ainda outros riscos: acesso a conteúdos impróprios ou ofensivos; contato com pessoas mal-intencionadas; furto de identidade; perda de dados e arquivos pessoais; invasão de privacidade; redução da produtividade; e efeitos negativos à vida social.


“Com a proximidade do período de férias escolares, os responsáveis devem ficar atentos, pois os filhos ficam mais tempo conectados à web”,  alerta a psicóloga do PROAmiti, que atua no Núcleo de Dependências Tecnológicas do HC, da Faculdade de Medicina da Univer idade de São Paulo (FMU-SP).


Diálogo Sylvia ensina que o caminho não é brigar, mas conversar com as crianças e adolescentes e decidir em conjunto, por exemplo, programações de férias. “Se os pais trabalham fora, é necessário determinar limites de acesso à internet”, diz Sylvia. “Outra sugestão é combinar com a criançada a divisão de tarefas diárias obrigatórias e prazerosas”, complementa. Caso a situação se torne insustentável e exija tratamento médico, jovens maiores de 18 anos podem receber assistência, gratuita, no IPq, órgão vinculado ao Hospital das Clínicas (HC), na capital paulista.


Após a inscrição (ver serviço), o interessado passa por avaliação psicológica, neuropsicológica e clínica; em seguida, será medicado, ou não, de acordo com o caso. “Geralmente, quem sofre de transtorno de controle do impulso tem dificuldade para tomar decisões, apresenta fobia, depressão, transtorno de déficit de atenção ou ansiedade e encontra na internet a opção para controlar essas sensações desagradáveis”, esclarece a psicóloga.


Tratamento Os pacientes com mais de 18 anos são integrados num grupo para apoio psicológico por 18 semanas.


A especialista informa que a assistência é oferecida para que a pessoa adquira controle consciente de seus impulsos, abandone comportamentos prejudiciais e passe, por exemplo, a procurar emprego, retomar os estudos e demais hábitos da rotina que foram interrompidos em razão da dependência tecnológica. Ela salienta que, nesse momento, o apoio dos familiares é essencial.


Palestra – Se o problema abrange crianças e adolescentes menores de 18 anos, o IPq oferece o Grupo de Orientação Continuada – palestra para apoiar e orientar os pais em relação à melhor maneira de lidar com a situação. O encontro é aberto à população (ver serviço). Na avaliação da psicóloga, antes dos 8 anos de idade a criança ganha dos pais um celular ou tablet com acesso livre à internet. “Isso é preocupante, porque ela precisa vivenciar etapas de desenvolvimento, que devem incluir brincar, criar e desenvolver habilidades cognitivas. As tecnologias até favorecem algumas dessas habilidades, mas o uso excessivo torna-se prejudicial”, finaliza.


Serviço


O interessado deve se inscrever para tratamento ou para assistir à palestra do Grupo de Orientação Continuada pelo telefone (11) 2661-7805 ou no site www.dependenciadeinternet.com.br/, no link Preciso de Ajuda


DOE, Executivo I, 01/12/2016, P.II