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Projeto aprovado na Alesp prevê disciplina sobre dependência química
09/01/2017

 

Estudo aponta que adolescente iniciante é do sexo masculino, frequenta escola e tem relacionamento ruim dentro de casa

 

Cerca de 5 mil escolas do Estado paulista, onde estão matriculadas quase 10 milhões de adolescentes, podem vir a adotar, em sua grade curricular, o estudo da dependência química e suas consequências. Projeto de lei nesse sentido foi aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro último e aguarda sanção do governo.

De acordo com o autor do PL, o ex-deputado Luiz Fernando Machado (atual prefeito de Jundiaí), a disciplina será uma atividade extracurricular, ministrada por instituições especializadas no assunto, que se responsabilizarão também pela capacitação de professores.

Ao apresentar o PL, Machado justificou que, atualmente, matéria sobre dependência química é tratada superficialmente, junto com outras disciplinas e não de forma específica. Machado explica que a propositura baseou-se em estudos segundo os quais o adolescente iniciante no uso de drogas pertence, predominantemente, ao sexo masculino, tem idade acima de 13 anos, frequenta a escola, vive com os familiares e tem um relacionamento ruim dentro de casa. Usa drogas por curiosidade ou como um estímulo para o enfrentamento de situações desagradáveis, sendo o álcool e o tabaco as primeiras drogas a serem experimentadas.

28 milhões de brasileiros têm parente dependente químico

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou, em dezembro de 2013, os resultados do Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad), a maior pesquisa feita no país sobre o assunto. Segundo o médico Ronaldo Laranjeira, um dos coordenadores do estudo, ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico, e o número de usuários de algum tipo de entorpecente já passa de 37,6 milhões.

O estudo tentou mapear quem são os usuários em reabilitação, qual o perfil de suas famílias e como elas são impactadas ao ter um ou mais integrantes usuários de drogas. "Para cada dependente químico existem outras quatro pessoas afetadas", disse Laranjeira, lembrando que 3.142 famílias brasileiras de comunidades terapêuticas, clínicas de reabilitação, grupos de mútua ajuda, como Al-Alanon e Pastoral da Sobriedade, participaram dessa pesquisa.

Perfil dos usuários em tratamento

A maioria dos pacientes em tratamento (73%) era poliusuária, ou seja, consumia mais de uma droga. Em 68% dos casos, quem passava por reabilitação era consumidor de maconha, combinada com outras substâncias. O tempo médio de uso das substâncias foi de 13 anos, mas a família havia percebido apenas depois de 8,8 anos de uso, em média. Mais de um terço (44%) relatou ter descoberto o uso devido a mudanças no comportamento do paciente. A partir da descoberta da família, o tempo médio para a busca de ajuda foi de três anos.

O Lenad apontou que 58% dos casos de internação foram pagos pelo próprio familiar e o impacto do tratamento afetou 45,4% dos entrevistados. Em 9% dos casos houve cobertura de algum tipo de convênio. O uso de hospitais públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), foi citado por 6,5% das famílias de usuários em reabilitação.

Brasil é segundo consumidor mundial de drogas

Em 2012, a Unifesp divulgou outras pesquisas relacionadas ao consumo de drogas no Brasil, seja cocaína e derivados, maconha, ou ingestão de bebidas alcoólicas. Os resultados mostraram que cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil. Em se tratando de cocaína e derivados, o Brasil é o segundo maior consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Mais de 6 milhões de brasileiros já experimentaram cocaína ou derivados ao longo da vida. Desse montante, 2 milhões fumaram crack, óxi ou merla alguma vez.

Em abril de 2013, um estudo sobre consumo de álcool mostrou que 54% dos entrevistados consumiam bebidas alcoólicas uma vez na semana ou mais. O crescimento foi maior entre as mulheres: 39% das entrevistadas.

*Fonte: Unifesp/G1.

www.al.sp.gov.br