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Ministérios preparam uma nova versão do Proálcool
31/05/2012

 

Proetanol com medidas de longo prazo é debatido pelo governo Dilma

 

Só em dois ou três anos combustível de cana será competitivo com gasolina, prevê diretor de agência reguladora

DENISE LUNA
DO RIO

Sem fazer alarde e em ritmo aquém da necessidade da indústria, o governo está montando um "Proetanol", para estimular a produção do biocombustível e tentar reverter a queda de produção, que vai se agravar nos próximos dois anos.


Segundo Allan Kardec Duailibe, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), somente em dois ou três anos o etanol brasileiro será competitivo com a gasolina.


Às vésperas da Rio+20, o retrato do biocombustível -que desde 1975, com o Proálcool, reduziu as emissões de gás carbônico em 600 milhões de toneladas- não é dos melhores.


O pacote está sendo debatido por representantes de quatro ministérios (Minas e Energia, Fazenda, Agricultura e Desenvolvimento), que dizem desconhecê-lo, mas reconhecem que reuniões sobre o tema têm ocorrido.


MENOS TRIBUTOS


Redução da carga tributária e leilões exclusivos de biomassa, para capitalizar o produtor, são algumas questões que o governo debate.


De acordo com um participante dessas reuniões, "são medidas mais estruturantes, de mais longo prazo", que pretendem estimular as empresas a construírem novas usinas.


Com planos de subir de 5% para 12% sua participação no mercado de etanol até 2015, a Petrobras adquiriu participações nas empresas Guarani, na Nova Fronteira e também na Total.


Para expandir a produção, no entanto, o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, aguarda medidas que remunerem melhor o investimento.


"Em 2009 o etanol abasteceu em volume 54% do mercado, mas em 2012 a nossa estimativa é algo em torno de 36%", disse Rossetto.


Ele defendeu que sejam realizados leilões exclusivos de biomassa para que os usineiros possam ganhar dinheiro com a venda da energia gerada a partir do bagaço da cana-de-açúcar.


Para o presidente interino da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, existe a necessidade de um marco regulatório para o etanol, tema que também está na pauta das reuniões do governo.


Ele chamou a atenção para a redução do número de usinas em construção. Segundo ele, de 2004 a 2009 foram implantadas 105 novas unidades. De 2010 a 2012 serão no máximo 15.


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado