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Publicações decodificam alta erudição para leigos
05/06/2012

 

Livros procuram abordar a temática filosófica com linguagem simples

 


De olho no público não especializado, obras usam referências do universo pop para debater Freud e Jung

MARCIO AQUILES
DE SÃO PAULO

Diversas obras que se destinam a decodificar o hermetismo da linguagem da filosofia e das ciências humanas foram publicadas neste ano.


Este movimento editorial reflete uma demanda de leitores leigos -ou simplesmente não especialistas em determinados temas- que buscam acesso a um tipo de conhecimento mais específico.


A editora Leya, por exemplo, lançou a Coleção Entendendo, que procura inovar o formato por meio de livros que usam a narrativa das HQs para mostrar a história e o pensamento de Freud, em um volume, e de Jung, em outro.


Pedro Almeida, editor da coleção, destaca a importância das referências pop para familiarizar leitores não acadêmicos em assuntos que exijam alta erudição.


"A linguagem dos livros técnicos pode ser complicada para leigos. Na obra sobre Jung, Casanova e Madonna, são personagens que ilustram os comportamentos extrovertido sensitivo e extrovertido sentimental, o que facilita a compreensão", diz.


Ainda neste ano, a editora prepara mais quatro volumes da coleção: "Filosofia", "Slavoj Zizek", "Psicologia" e "Psicanálise".


O selo Difel, do grupo editorial Record, também tem investido em livros que mostram a história do pensamento filosófico e humanístico.


Para Jeanne Marie Gagnebin, professora titular de filosofia na PUC e de teoria literária na Unicamp, há hoje um fenômeno mercadológico em torno da filosofia, suscitado em parte pela volta da disciplina ao ensino médio e também pela crise das religiões.


"A filosofia e a psicanálise tendem a substituir outras concepções do mundo, que ofereciam um quadro de referências estáveis. Como muitas religiões tradicionais entraram em crise, há um surgimento de teorias gerais de substituição sobre o sentido do mundo e da vida pessoal."


Esse tipo de publicação sempre evoca o debate sobre o risco de promover uma simplificação excessiva de conceitos complexos.


Por outro lado, pode ser facilitadora para leitores interessados em determinados temas, mas que não têm formação específica para adentrar obras cifradas que exijam prévios conhecimentos conceituais ou de terminologia.


Segundo Gagnebin, obras deste tipo podem ser interessantes quando conseguem preservar a precisão e a sutileza dos temas tratados, mostrando as verdadeiras questões que estão por trás da fonte de sua complexidade.


"No entanto, quando transformam um pensamento vivo e complexo em mais um produto de consumo, não servem para muita coisa além de fazer dinheiro", ressalva.


Fonte: Folha de SPaulo