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Fechado, Museu da Língua Portuguesa mantém forte vínculo com o público
06/05/2017

 

Em meio a obras de restauro, depois do incêndio que atingiu suas instalações no final de 2015, o Museu da Língua Portuguesa presenteou a população com três dias de atividades para marcar o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, celebrado em 5 de abril.

Com atrações gratuitas no saguão da Estação da Luz, a instituição reafirmou seu amor pelo idioma – o quarto mais falado no mundo, atrás somente do mandarim, espanhol e inglês – e o compromisso com sua valorização e difusão. Como era esperado pelo público, as atividades aliam tecnologia e interatividade para abordar as relações do idioma com a cidade e com o ambiente urbano, característica que consagrou a programação da instituição nos dez anos de atuação.

A ação especial teve início na quinta-feira, 4, e é realizada pelos parceiros da reconstrução do museu, com o apoio da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Consulado-Geral de Portugal em São Paulo. Iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, o Museu da Língua Portuguesa foi concebido e realizado em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

De acordo com a gerente de projetos da instituição, Deca Ferraco, a data reforça a proposta do Museu da Língua Portuguesa de manter-se em contato permanente com o público, apesar da infelicidade do incêndio. “Entendemos que o museu é muito mais do que sua sede. Ele consiste nesse contato com o público, esteja onde estiver. Mantemos nossas redes sociais ativas e trabalhamos na construção de um site que ampliará ainda mais o diálogo. Ações semelhantes vão se repetir até a reabertura, prevista para 2019”, ressaltou.

Cartazes – Hoje, quem passar pela estação terá a oportunidade de deixar sua marca no processo de reconstrução do museu, com a oficina Microrroteiros da cidade, ministrada pela artista Laura Guimarães. Os participantes são convidados a descrever cenas curtas do cotidiano em cartazes coloridos. Ao final, os trabalhos afixados em forma de lambe-lambe (técnica de arte urbana ligada ao grafite) nos tapumes da obra compõem um grande painel coletivo.

Com a frase: A vida é como um game. Em que fase você está?, a estudante Nathalia Cristiny Aguiar resolveu propor, nesta sexta-feira, em seu cartaz uma reflexão sobre os percalços de crescer e atingir a idade adulta. “Como num videogame, a vida tem diferentes níveis de dificuldade. Começa na infância e vai ficando cada vez mais difícil até chegar à velhice”, justifica.

Moradora de Itapecerica da Serra, Monique Sasaki, de 17 anos, escreveu sobre seu amor por São Paulo. “É uma cidade grande, onde tudo acontece e, apesar da violência, não devemos deixar de lado o amor pela cidade.” Do bairro de Santa Cecília, o estudante Kauan Garcia, de 18 anos, optou por abordar a falta de moradia. “Onde vivo há muitas pessoas em situação de rua e essa é uma questão que me sensibiliza.”

Literatura em foco – Por volta do meio-dia de ontem, atores do Grupo 59 de Teatro surpreenderam o público com encenações musicadas de trechos de obras de importantes autores da língua portuguesa, como Graciliano Ramos e Jorge Amado. A atriz portuguesa Tania Reis mostrou ao público o trabalho do português Fernando Pessoa, do moçambicano Mia Couto e do angolano José Eduardo Agualusa. O dia terminou com edição especial do Sarau do Binho.

A programação continua hoje, 6, quando os escritores paulistanos Roberto Taddei e Joca Terron comandarão bate-papo sobre como a cidade é retratada na literatura contemporânea. A conversa terá início no saguão da estação e seguirá num passeio pelo bairro do Bom Retiro rumo ao Instituto Cultural Israelita Brasileiro, mais conhecido como Casa do Povo. O encerramento da festa ficará por conta do DJ Paulão, que apresentará seleção especial de ritmos brasileiros, africanos e portugueses.

DOE, Executivo I, 06/05/2017, p. I