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Tabagismo causa 65% dos casos de câncer de bexiga em homens
29/08/2017

 

Secretaria da Saúde e Faculdade de Medicina da USP alertam sobre a relação do cigarro com a doença, que deve gerar 9,6 mil casos novos

 

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado nesta terça-feira (29), o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, ligado a Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Medicina da USP, faz um importante alerta sobre a relação do cigarro com o câncer de bexiga.

Pesquisa realizada com pacientes atendidos pela equipe de urologia nos últimos 12 meses mostrou que o tabagismo está ligado a 65% dos casos em homens e 25% em mulheres com tumores na região. No último ano, foram realizadas mais de 600 cirurgias e cerca de duas mil consultas ambulatoriais.

“A maioria das pessoas associa o cigarro apenas ao câncer de pulmão, porém podemos afirmar que o tabagismo aumenta em três vezes a chance de desenvolver tumor na bexiga. É extremamente importante esse alerta, pois sabemos que o tabagismo é o principal fator de risco nesses casos (de câncer de bexiga)”, alerta o urologista Leopoldo Ribeiro Filho, especialista da equipe de uro-oncologia.

A fumaça do cigarro contém inúmeras substâncias químicas e carcinogênicas. Quando os fumantes inalam a fumaça, elas são absorvidas pelos pulmões, entram na corrente sanguínea e são filtradas pelos rins. Uma vez na urina, todos esses compostos do tabaco podem danificar as células da bexiga, contribuindo diretamente para o desenvolvimento do câncer, em longo prazo.

Além do tabaco, produtos químicos como tinturas de cabelo e tintas em geral, tecidos, borracha e petróleo estão entre os fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer. Indivíduos que trabalham na indústria e lidam com esses compostos por anos seguidos devem ficar atentos.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA/2016), são esperados 9,6 mil casos novos de câncer de bexiga. Apesar de pouco incidente, a taxa de mortalidade é alta, batendo seis vezes o câncer de próstata, que é o mais comum em homens e também atinge o sistema genito-urinário.

Sintomas x diagnóstico precoce

O levantamento do Icesp também mostrou que cerca de 30% dos pacientes tratados apresentam tumores com invasão da camada muscular, ou seja, bastante avançados, sendo necessária a retirada completa do órgão.

Sangue e espuma na urina, dor e dificuldade para fazer xixi e infecções urinárias frequentes são sinais de alerta, inclusive para outros problemas de saúde ligados ao aparelho urinário, por isso não devem ser ignorados. O diagnóstico do câncer de bexiga é realizado por exames de urina e de imagens, como tomografia computadorizada e citoscopia (análise interna da bexiga por um aparelho com câmera).

Falando em prevenção, é importante lembrar os profissionais da indústria do cuidado com o manuseio de produtos químicos, sendo fundamental o uso dos equipamentos de proteção (EPIs) como luvas e máscaras.

No geral, a dica é ingerir bastante água – no mínimo dois litros por dia para adultos – e apostar, diariamente, na alimentação equilibrada, com fibras, frutas e legumes, proteínas magras e a ingestão de produtos naturais, sempre que possível. “Essa é a melhor receita na prevenção de diversas doenças, entre elas o câncer. Além disso, vamos reforçar sempre que não existe quantidade segura para o cigarro. Seguro mesmo é não fumar”, destaca o médico chefe do grupo de urologia do Icesp, William Nahas.

Sobre o Icesp

Inaugurado em maio de 2008, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, unidade do Governo do Estado gerenciada em parceria com a Fundação Faculdade de Medicina, é um dois maiores centros de oncologia da América Latina e referência nacional no Sistema Único de Saúde (SUS).

Com base na assistência e gestão humanizada, o Instituto oferece aos pacientes da rede pública de saúde um tratamento global e multidisciplinar com práticas assistenciais, de qualidade e segurança do paciente, acreditados pela Joint Commission International, organização internacional de acreditação em saúde. Mensalmente, são realizados mais de 50 mil atendimentos, em 34 especialidades médicas.

Do Portal do Governo do Estado