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Unesp será referência em física teórica
02/02/2012

 

Na semana que vem, Instituto de Física Teórica passa a ser sede sul-americana de centro internacional ligado à Unesco

 

Na prática, isso vai render pesquisas em parceria internacional e cursos para cientistas daqui e de fora


SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO
Em outubro do ano passado, o físico russo Ilya Bakhmatova desembarcou em São Paulo para fazer um pós-doutorado de dois anos no IFT (Instituto de Física Teórica).


Apesar de estranhar o calor -ele chegou no começo do verão- e a distância de casa, ele queria trabalhar com Nathan Berkovits, pesquisador do IFT. "Ele é muito famoso internacionalmente e criou um grupo importante".


Berkovits, contratado na década de 1990 pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), guarda-chuva institucional do IFT, é um dos cérebros que têm atraído cientistas estrangeiros ao instituto.


A fama das pesquisas em física teórica feitas por aqui é tamanha que o IFT vai se tornar, a partir da semana que vem, a sede sul-americana do ICTP (Centro Internacional de Física Teórica).


Isso significa que o IFT terá pesquisas em parceria com o centro e cursos para pesquisadores daqui e de fora.


Para 2012 estão previstos três cursos rápidos temáticos -as chamadas escolas avançadas. O dinheiro virá do ICTP e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).


No ano passado, uma das escolas avançadas oferecidas no IFT contou até com Edward Witten -físico dos EUA que é considerado o "Einstein da atualidade".


Hoje, 25% dos 60 alunos do IFT, que só tem pós-graduação, são estrangeiros. A média de alunos de fora na Unesp é de menos de 1%.


"O fato de só termos pós-graduação facilita a internacionalização e a contratação de pesquisadores de fora", diz Berkovits, que é norte-americano. Isso porque as regras de concursos para pesquisadores são mais flexíveis do que para docentes.


MÃO DUPLA


Mas não é apenas o IFT que recebe cientistas. Muitos daqui vão para o exterior.


O físico Sérgio Novaes, por exemplo, tem dois orientandos no Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear), perto de Genebra, na Suíça.


"A ideia é que os pesquisadores estejam circulando o tempo todo", afirma.


No IFT, Novaes coordena os trabalhos com o Cern, que incluem análise de dados.


"Temos acesso a todos os dados produzidos no acelerador de partículas do Cern."


Hoje, a física de partículas é uma das principais linhas de estudo do IFT. Mas o diretor do instituto, Juan Carlos Garcia, quer diversificar. "As pesquisas com o Cern vão render bastante neste ano."


Fonte: Folha de S.Paulo. Ciência