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Técnica permite reduzir em 70% o uso de defensivos agrícolas em produção de tomate
21/09/2017

 


Trabalho realizado pelo Instituto Biológico (IB-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), com produtores da região de Mogi das Cruzes, principal fornecedora de hortaliças para a capital paulista, possibilitou reduzir em 70% a aplicação de defensivos agrícolas na produção de tomate.


Trabalho do Instituto Biológico com produtores de Mogi das Cruzes utilizou microtúneis ou coberturas flutuantes de tecido derivado de polipropileno, que impedem a entrada de insetos


A pesquisa iniciou-se em 2014, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), quando aconteceu na região um surto de mosca-branca – praga que atinge diversos tipos de cultura. Foram notados danos indiretos provocados por fitovírus, principalmente transmitidos pela mosca-branca, que reduziram a produção e a qualidade final das safras, prejudicando os agricultores.


Ariane Teixeira Lima Canellas, engenheira agrônoma e consultora de negócios do Escritório Regional Alto Tietê do Sebrae-SP, conta que, ao identificar a praga nas propriedades que atendia, buscou ajuda do pesquisador  do Instituto Biológico, Fernando Javier Sanhueza Salas. “Sabemos que para a redução do custo de produção estão envolvidos outros pilares que não apenas gestão empresarial. Assim, as técnicas de produção são importantes. Por meio do manejo integrado de pragas e doenças, há uma grande probabilidade de redução de custos”, afirma Ariane.


Economia – Salas visitou as propriedades e notou que os produtores aplicavam os defensivos a partir do calendário e não de acordo com a infestação das doenças. Outra saída para diminuir a ocorrência da mosca-branca foi instalar microtúneis ou coberturas flutuantes de agrotêxtil, tecido derivado de polipropileno e muito utilizado na produção de hortaliças na Espanha e na de melão para exportação em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Dessa forma, o defensivo é aplicado apenas uma vez no início do plantio e o tecido impede a entrada dos insetos.


A aplicação dos defensivos de acordo com a infestação das doenças e o agrotêxtil permitiram a redução de 70% do uso de agrotóxicos no cultivo do tomate. Além da economia para os produtores, há menor impacto ambiental na região, muito próxima à nascente do Rio Tietê.


Elvis Hiroshi Kishimoto foi um dos primeiros produtores a testar a técnica. “O agro têxtil ajudou a controlar os insetos. Consegui economia significativa com os inseticidas”, conta Kishi moto, o qual elogia o baixo custo do produto. “Em 2013, comprei uma estufa grande que foi destruída em um vendaval. Não consegui nem pagar”, compara.


Bons resultados Salas revela outra vantagem dos microtúneis e coberturas flutuantes: “A instalação desses equipamentos cria um microclima que acelera a produção. No ciclo do tomate podemos ganhar cerca de 15 dias”. Com os bons resultados, o Sebrae e o Instituto Biológico retomaram o projeto na Chácara Santo Ângelo, assentamento que abriga mais de 400 famílias também na região de Mogi das Cruzes. A produção dos agricultores locais é comercializada, principalmente, na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e Centrais de Abastecimento.


Jonathan de Almeida Villela, estagiário do Instituto Biológico e bolsista do Con selho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), acompanha os produtores para avaliar a eficiência das novas técnicas aplicadas: “O agrotêxtil é uma tecnologia antiga adaptada ao clima do Brasil. Acredito que teremos resultados muito positivos”.


Erimilson Antônio da Rosa, que cultiva sálvia, tomilho e orégano, aprovou. “A tendência é aumentar a produção. Eu acredito que vou conseguir economizar ao diminuir a pulverização”, afirma o produtor que mora no assentamento há 22 anos.


Regina Amábile


Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial


DOE, Seção I, p. 1