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CPTM forma técnicos em manutenção metroferroviária
19/10/2017

 


A possibilidade de o aluno aprendiz ser contratado como profissional é um dos atrativos do curso Técnico de Manutenção de Sistemas Metroferroviários. Ministrado no Centro de Formação Profissional Eng° James C. Stewart, é mantido pela Com panhia Paulista de Trens Metropolitanas (CPTM), em convênio com o Senai-SP. “O curso oferece formação muito específica – em São Paulo é o único curso de técnico em manutenção metroferroviária. Por isso, tem uma concorrência gigantesca”, destaca o diretor do Centro de For mação, Wilson Sanches.


Três mil alunos já concluíram o curso de dois anos; 79 estudantes estão sendo formados e há concurso público aberto para 45 vagas


No último concurso foram 17,2 mil inscritos para preencher 80 vagas, o que equivale a 215 candidatos por vaga. Há três meses como alunos aprendizes, Guilherme Cavalcante e Julyana Caíres Ferreira são enfáticos ao falar na necessidade de se preparar bem para as provas, mas ressaltam que o esforço valeu a pena. No concurso público em andamento são ofertadas 45 vagas para jovens com idade entre 16 e 21 anos e com ensino médio concluído. A previsão é que os aprovados iniciem o curso em fevereiro de 2018.


“Sempre gostei dessa área e vir a ser efetivado na CPTM é o meu objetivo”, declara Guilherme. “Se isso não for possível, sei que estarei preparado para outras oportunidades. A possibilidade de trabalhar na área após concluir esse curso é bem alta”, completa o jovem de 18 anos. De fato, há dois meses, 22 alunos aprendizes foram efetivados na CPTM, informa o diretor, que foi aluno


aprendiz. “Há mais 23 profissionais prontos para assumir”, acrescenta. Os aprovados no curso podem esperar por vagas durante um ano, prazo prorrogável por igual período.


Qualificação O curso habilita o profissional a manter os sistemas eletroeletrônicos e mecânicos do transporte metroferroviário e a desenvolver soluções de acordo com normas e procedimentos técnicos, de segurança e ambientais.


Universitária de engenharia mecânica, Julyana buscou o curso “para ter uma relação direta com a engenharia mecânica. Será como um estágio, mas meu sonho é trabalhar como engenheira na CPTM”. Com 22 anos de idade, a jovem diz que na faculdade “há muita teoria; mas aqui vamos lidar com equipamentos, máquinas, trens. Nada é leve, porém, eu acredito no trabalho pesado”.


Um dos equipamentos é o simulador de operação de trens utilizado para formar novos condutores, reciclar periodicamente os operadores da CPTM e também manipulado pelos alunos aprendizes. Os futuros técnicos em manutenção aprendem a operar trens “para conhecer os mecanismos envolvidos e também porque vão efetuar manobras internas de composições durante testes ou serviços de ajustes e de manutenção de trens”, explica o instrutor profissional do Senai, Renato Cândido. “Terão noção de como conduzir o trem”.


 


No simulador de Centro de Controle Operacional (CCO), os aprendizes estudam o “layout das linhas (trecho a trecho), o sistema de comunicação, possíveis causas de falhas operacionais, entre outros aprendizados”, salienta Cândido, o qual atua também como orientador de prática profissional. Guilherme e Julyana elogiam as dependências do centro de formação que conheceram durante a integração. “Noventa por cento dos nossos alunos têm nível universitário e boa parte fez curso técnico e de aprendizado no Senai”, menciona o diretor.


 


Teoria e prática Na Via Permanente Didática há “treino de rede aérea (não energizada), que é baixa para facilitar a observação de detalhes”, informa o diretor. Há trilhos com dormentes de madeira e de concreto na via de 1,60 metro de bitola. “É para aprenderem as particularidades das seis linhas da CPTM”. A Estação Ferroviária Didática serve para mostrar “o funcionamento


da linha de bloqueio (catraca), sistemas envolvidos na operação e segurança, além de outros recursos disponíveis nas estações”.


 


Há também vários laboratórios (hidráulica, pneumática, soldagem) usados para “ensaios técnicos e aplicação de conceitos”, diz Sanches. Mas antes das aulas práticas, de conhecer o pátio de manutenção (oficinas) e atuar de forma supervisionada nas dependências (espécie de estágio) da CPTM, os alunos aprendem teoria. O curso dura dois anos e é ministrado, de segunda a sexta-feira, no Centro de Formação Profissional, localizado na Lapa, próximo das oficinas.


 


No final é exigido Trabalho de Conclusãode Curso “dentro das necessidades do setor de manutenção. Pode ser mudança no processo de trabalho, melhoria ou uma nova proposta”, lembra Sanches. Um dos trabalhos dos alunos permitiu substituir trabalho braçal na manutenção da rede aérea por um equipamento pneumático, pontua. A CPTM já formou três mil alunos, boa parte foi contratada pela companhia e os demais foram atuar no Metrô de São Paulo e em outras operadoras. Na CPTM, o salário atual de técnico de manutenção é de R$ 3.200, em média.


 


“Nossos alunos são muito aplicados e saem prontos para assumir a função de técnico. dependendo da área em que vão atuar. No mercado não temos um profissional com essa qualificação”, avalia Sanches. O aprendiz recebe bolsa de um salário mínimo no primeiro ano do curso e de um salário mínimo e meio no segundo ano, além de benefícios como vale-alimentação e convênio médico e odontológico. A parceria da CPTM com o Senai-SP existe desde 1961.


 


Claudeci Martins


Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial