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Osteoporose afeta 10 milhões de homens e mulheres no País
20/10/2017

 


Dados da Federação Internacional da Osteoporose (IOF) indicam que a osteoporose causa mais de 8,9 milhões de fraturas por ano em todo o mundo, o que significa uma fratura osteoporótica a cada três segundos. Calcula-se que a doença afeta 200 milhões de mulheres mundialmente.


Persiste ainda a ideia, errônea, de que a osteoporose é uma doença feminina


Uma em cada três mulheres com mais de 50 anos sofrerão fraturas osteoporóticas e um em cada cinco homens acima dos 50 anos. No Brasil, os números, também, são altos: 10 milhões de brasileiros afetados pela doença, que é assintomática. A osteoporose pode ser evitada com hábitos saudáveis: exercícios físicos; boa ingestão de cálcio pela dieta alimentar; e a exposição diária ao sol, por, pelo menos, 15 minutos ao dia.


Em mulheres acima de 45 anos de idade, a osteoporose é responsável por mais internações do que outras doenças, incluindo diabetes, infarto do miocárdio e câncer de mama. “A osteoporose pode ocasionar quadros graves como, por exemplo, uma fratura de fêmur, que deixa o paciente acamado por até oito semanas, ou complicações como perda da musculatura dos membros e até pneumonia”, explica a médica Rosa Maria Rodrigues Pereira, responsável pelo ambulatório de osteoporose do Hospital das Clínicas.


Homens “Persiste ainda uma ideia errônea de que se trata de uma doença feminina; e soma-se a isso o fato de que, em geral, os homens são mais negligentes com a saúde. É um público esquecido também pelos médicos. Existem condições que aumentam a probabilidade de ocorrência de osteoporose e fraturas, como alcoolismo crônico, tabagismo, uso de  glicocorticoides e pacientes com hipogonadismo (paciente em deprivação hormonal por causa de câncer de próstata) e que deveriam estar no horizonte de raciocínio dos médicos que os acompanham”, alerta o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional – São Paulo (SBEM-SP), Sergio Setsuo Maeda.


 


Os poucos estudos realizados em homens no Brasil mostram que a prevalência de osteoporose na população masculina com mais de 65 anos está em torno de 15%, enquanto a prevalência de fraturas fica entre 12% e 20%.


 


Maeda orienta os pacientes a terem cuidado com as quedas domésticas. O banheiro é o lugar onde mais acontecem acidentes. Pisos molhados e escorregadios e objetos que estejam no chão representam risco e é preciso atenção.


 


Exame Especialistas alertam os médicos que cuidam da saúde do homem sobre a importância do exame da densitometria óssea, considerando que a doença também acomete o público masculino, embora em proporção menor do que às mulheres.


 


O exame é considerado importante para avaliar o risco de osteoporose e deve ser feito em todas as mulheres acima dos 65 anos e em todos homens com mais de 70 anos. Caso apresentem  fatores de risco, em ambos os casos o exame deve ser solicitado antes. Cerca de 15% dos homens com mais de 65 anos desenvolvem a doença. “Embora fraturem menos do que as mulheres A mortalidade após fratura de quadril é duas vezes maior nos homens do que na mulheres após a


mesma fratura. Geralmente, eles têm problemas crônicos de saúde como diabetes, alcoolismo ou mesmo o uso indiscriminado de cigarro”, diz a responsável pelo ambulatório de osteoporose do HC, por onde passam 40 pacientes semanalmente.


 


Fatores Os principais fatores de risco da osteoporose incluem o envelhecimento, em ambos os sexos. Na mulher, a menopausa é fator de risco adicional porque representa a parada de produção de hormônios femininos pelos ovários, especialmente os estrogênios, o que leva a um aumento da perda óssea (reabsorção). Mulheres pós-menopausadas desenvolvem osteoporose até oito anos após o fim da menstruação. Pessoas muito magras, miúdas, ou que já têm familiares com osteoporose, especialmente pai e mãe, têm maior risco de desenvolver osteoporose.


 


Sedentarismo, ingestão insuficiente de cálcio na alimentação, baixas concentrações de vitamina D, falta de exposição solar, tabagismo, diabetes e doenças respiratórias, endócrinas, inflamatórias, neoplásicas ou gastrointestinais podem favorecer o aparecimento da osteoporose, assim como o uso de medicamentos prejudiciais ao osso, especialmente os glicocorticoides. “Os


anticonvulsivos também são prejudiciais ao osso, pois a vitamina D não é processada no organismo”, explica a médica. Geralmente, as pessoas com osteoporose sofrem fraturas nos punhos, coluna ou fêmur.


 


Tratamentos Um exame de densitometria óssea consegue antecipar o risco aumentado de uma fratura, ou o diagnóstico de osteoporose pode ser estabelecido quando as fraturas já ocorreram. A primeira opção é sempre a melhor, mas depende de um médico solicitar o exame, o é mais frequente para as mulheres, porém, muito raro para os homens, que acabam sendo


negligenciados para a doença.


 


Existem várias opções de medicamentos como comprimidos diários, semanais, mensais, injeções diárias, semestrais ou anuais, com grande capacidade de prevenir as temidas fraturas osteoporóticas. O qualquer uma dessas formas de tratamento.


 


Os laticínios são a principal fonte de cálcio. Sem a ingestão de laticínios raramente se atende às necessidades diárias de cálcio, porque as outras fontes contém quantidades menores de cálcio aproveitável. “Para as pessoas com intolerância à lactose ou adeptas do veganismo, a suplementação do cálcio é necessária”, alerta a médica.


 


Ações de prevenção e combate


 


Hospital das Clínicas


No dia 20, haverá distribuição de 10 mil folhetos com orientações sobre a osteoporose para pacientes e usuários do hospital,que se localiza na Av. Eneas de Carvalho Aguiar, 255 –


Cerqueira César, capital, SP.


Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso)


Várias atividades, no Parque Villa-Lobos, nos dias 20, 21 e 22, marcam o Dia Mundial da Prevenção e Combate à Osteoporose (20 de outubro), como o Projeto Casa Segura, desenvolvido pelo arquiteto Gabriel Casadei Pietraroia, com apoio e supervisão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, que reúne informações para se ter uma casa segura; e teste do calcâneo. O Parque Villa Lobos localiza-se na Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2.001, Alto de Pinheiros, capital, SP.


 


Maria Lúcia Zanelli


Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial


 


DOE - Seção I, p. IV