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Reabilitação 2030: encontro reúne especialistas de saúde das Américas
08/11/2017

 

A Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), com apoio da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, promove até sexta-feira, 10, em São Paulo, o evento Reabilitação 2030: um Chamado à Ação, com a Reunião Regional de Lideranças em Reabilitação e a Reunião Regional sobre Pesquisa e Informação para a Reabilitação 2030.


Evento marca o lançamento das Recomendações para o Fortalecimento da Reabilitação nos Sistemas de Saúde em Língua Portuguesa e em Espanhol


 


O propósito é garantir a integração da reabilitação nos sistemas de saúde até 2030. Na reunião, ocorre o lançamento das Recomendações para o Fortalecimento da Reabilitação nos Sistemas de Saúde em Língua Portuguesa e em Espanhol.


 


As recomendações são: integrar os serviços de reabilitação ao sistema de saúde; integrar os serviços de reabilitação aos níveis primário, secundário e terciário dos sistemas de saúde; garantir a disponibilidade de uma força multidisciplinar de trabalho em reabilitação; garantir que os serviços de reabilitação estejam disponíveis tanto na comunidade quanto nos hospitais; garantir que os hospitais incluam unidades especializadas em reabilitação para pacientes com necessidades complexas em regime de internação; implementar políticas de financiamento e aquisição que assegurem a disponibilidade de produtos assistivos a todos aqueles que necessitem; assegurar o treinamento adequado do usuário que recebe produtos assistivos; garantir que recursos financeiros sejam alocados aos serviços de reabilitação; e que os serviços de reabilitação devem estar cobertos onde os seguros de saúde já existam ou serão disponibilizados.


 


Devora Kestel, chefe de Unidade de Saúde Mental da OPAS, destacou que nas Américas aproximadamente 150 milhões de pessoas (15%) vivem com algum grau de deficiência. “Estamos falando de reabilitação em sentido amplo, das necessidades que milhões de pessoas têm. Os recursos devem estar acessíveis, de forma igualitária, a todos”, completa Devora.


 


“Posso dizer com confiança que a reabilitação é a chave para aumentar a esperança de vida saudável e melhorar o funcionamento e reduzir a deficiência quando existem doenças crônicas, alcançar os resultados clínicos, além do impacto enorme na vida das pessoas”, afirmou a coordenadora de Deficiência e Reabilitação da Organização Mundial de Saúde (OMS), Alarcos Cieza.


 


Inclusão De acordo com os especialistas do encontro, ainda há escassez de dados sobre a funcionalidade e a reabilitação. A necessidade por mais e melhores    pesquisas e informações sobre o tema será abordada durante as reuniões de trabalho entre representantes de universidades, centros de pesquisa e agências de financiamento das Américas, para desenvolver


um Plano de Ação Regional sobre Dados em Reabilitação, fortalecer a capacidade de pesquisa e corrigir as falhas que impedem a coleta, a análise, a disseminação e o uso das informações sobre reabilitação para o planejamento de melhores políticas e serviços na região.


 


Os participantes do encontro defendem que investir na reabilitação é mais do que assegurar o direito das pessoas. É garantir que os cidadãos possam se manter economicamente ativos, contribuindo com a sociedade. Usuários de reabilitação do Brasil apresentaram suas experiências. Nirma Sueli dos Santos, que faz parte do projeto de reabilitação de saúde mental


Ala Loucos pela X, contou como é seu trabalho na produção de fantasias e adereços para a escola de samba X9 Paulistana. “Recebemos o convite há 17 anos. Até hoje trabalhamos como oficineiros e artesãos em fantasias. Estamos lutando na nossa reabilitação e queremos ser profissionais no nosso trabalho. Temos nosso espaço e recebemos convites de outras escolas para fazermos mais alas”, comemora.


 


“Somos um coletivo de trabalho, temos um ateliê de carnaval, que faz fantasias para escolas de samba da capital e do interior. Somos um ateliê como qualquer outro, com a ideia de inclusão social pelo trabalho e pela cultura de pessoas que tiveram uma história dentro da psiquiatria”, explica o psicólogo Pedro Montaldi Gava, que destacou a importância de reintegrar as pessoas.


“Antes da lei antimanicomial, tínhamos a lógica da internação, do segregamento das pessoas. Como se vai pensar em garantias de direito, de circulação pela cidade, de trabalho, se as pessoas não têm garantia de liberdade? O trabalho que fazemos somente é possível porque as pessoas foram tratadas em liberdade, sem serem excluídas da sociedade”, ressaltou.


 


Regina Amábile


Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial


 


DOE - Seção I, p. II