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Crédito externo a empresas e bancos vai despencar, diz BC
23/06/2012

 

Nova projeção aponta que, com crise internacional, os financiamentos vão cair de US$ 47 bi para US$ 100 mi

 

Resultado previsto pela autoridade monetária é o pior desde 2007, quando houve saída de recursos do país

MAELI PRADO
DE BRASÍLIA

Com a crise internacional, os novos empréstimos de empresas e bancos no exterior despencarão neste ano, chegando a um nível irrisório, segundo nova projeção do Banco Central divulgada ontem.


Se os financiamentos tomados no exterior no ano passado totalizaram US$ 47 bilhões, o montante será de somente US$ 100 milhões neste ano -o pior resultado desde 2007, quando houve saída de recursos.


A projeção anterior, divulgada em março, era que os empréstimos alcançassem US$ 6,9 bilhões neste ano. Os números dizem respeito aos financiamentos de médio e longo prazo, com vencimento acima de um ano.


De acordo com especialistas, os bancos e empresas têm até conseguido renovar suas dívidas em linhas externas, mas não conseguem novos empréstimos.


"Em épocas de grande turbulência global, há alta aversão ao risco", resume Gabriel Hartung, economista da BBM Investimentos. "E, apesar de a situação econômica do Brasil ter melhorado, não deixamos de representar risco."


Na semana passada, em um esforço para facilitar o acesso ao crédito em meio à deterioração do cenário externo, o governo reduziu de cinco para dois anos o prazo dos empréstimos tomados no exterior sujeitos à taxação.


O BC disse esperar que a taxa de rolagem dos empréstimos externos totais seja de 100% em 2012. Isso quer dizer que as empresas e bancos devem conseguir crédito somente em volume comparável aos vencimentos de suas dívidas. A cada US$ 100 em empréstimos vencidos e pagos este ano, as empresas e bancos obterão US$ 100 em empréstimos.


Para se ter uma ideia, a taxa de rolagem no ano passado foi de 460%.


O BC também reduziu -de US$ 12 bilhões para US$ 8 bilhões- sua projeção para os investimentos estrangeiros em ações.


A estimativa para os investimentos estrangeiros no setor produtivo, tradicionalmente menos voláteis, foi mantida em US$ 50 bilhões contra os US$ 66,7 bilhões do ano passado.


Fonte: Folha de S.Paulo/Poder