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Agricultura familiar terá pacote de crédito
03/07/2012

 

Linhas de financiamento serão de R$ 18 bilhões; juros serão reduzidos e haverá incentivo à recuperação de áreas

 

Pequenos produzem 70% dos alimentos consumidos no país; compra de máquinas também terá incentivos

DE BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff lança amanhã o Plano Safra da Agricultura Familiar 2012/13, que inclui reforço nas linhas de crédito para custeio e para investimento, redução nos juros, além da ampliação do crédito disponível para recuperação de áreas de preservação permanente e reserva legal desmatadas.


O plano terá R$ 18 bilhões em crédito disponibilizados por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), R$ 2 bilhões a mais do que na safra passada.


De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar é responsável hoje pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros diariamente.


Dilma, que na última semana afirmou que a agricultura exerce "papel essencial" no enfrentamento da crise, vai ampliar o limite de crédito disponível para custeio. Os juros sofrerão redução de meio ponto percentual.


Para custear a lavoura, a faixa limite de crédito, antes de R$ 50 mil, passará para R$ 80 mil. No plano anterior, o produtor que solicitava crédito na faixa mais alta -de R$ 20 mil a R$ 50 mil- pagava juros de 4,5% ao ano.


O novo Plano Safra reduziu os juros para 4% para quem captar de R$ 20 mil até R$ 80 mil.


REDUÇÃO EM ESTUDO 


Já os números relacionados ao investimento ainda estavam em estudo por técnicos do governo.


Até a noite de ontem, o ministério avaliava a possibilidade de reduzir as taxas de juros para ações como compra de equipamentos para irrigação, tratores e máquinas, por exemplo.


A ideia inicial era ampliar o limite de R$ 50 mil para R$ 130 mil, mas os juros, que antes eram de 2% ao ano, ainda permaneciam indefinidos.


O Ministério do Desenvolvimento Agrário também decidiu ampliar as linhas de crédito para recuperação de Áreas de Preservação Permanente e reservas legais. O reforço ficará disponível por meio do Pronaf Floresta, um braço do programa nacional da agricultura familiar.


Criado há uma década para a Amazônia e só estendido ao país todo no ano passado, o Pronaf Floresta permitia ao produtor captar até R$ 20 mil. Agora, o limite será estendido a R$ 35 mil, como a Folha antecipou, com juros de 1% ao ano e prazo de pagamento de 12 a 20 anos.


A intenção do governo é pôr em funcionamento os dispositivos da medida provisória do Código Florestal, baixada em maio. E mostrar, especialmente para o pequeno produtor, que cumprir a lei, com recuperação de matas ciliares, não tem custo proibitivo.


(KELLY MATOS)


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado