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Venda de carros não reanima indústria
03/07/2012

 

Movimento nas concessionárias foi recorde em junho, mas GM e Volkswagen mantêm programas de demissão

 

Apesar do aquecimento no comércio, produção não é reativada nas fábricas, e montadoras estudam cortar vagas

DO RIO

O incentivo do governo para o setor automotivo aqueceu as vendas de carros e camionetes, mas não atingiu seu principal alvo: reanimar a indústria de veículos, cuja cadeia produtiva, na estimativa do Ministério da Fazenda, movimenta 20% do PIB.


A redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduziu os preços em até 10% e provocou vendas recordes de automóveis e comerciais leves (camionetes e vans) para junho, desde que o acompanhamento foi iniciado, em setembro de 2002.


Segundo dados do setor, foram vendidos 340,3 mil veículos -alta de 24% em relação a maio e de 18,6% sobre junho de 2011 (veja quadro ao lado). Números oficiais serão divulgados hoje.


Mas o apetite dos consumidores, até o momento, serviu apenas para reduzir o tempo em que os carros ficam parados nos pátios das fábricas.


Preocupadas com o que consideram uma euforia passageira, as montadoras estão pessimistas e preparam demissões (leia texto abaixo).


A General Motors e a Volkswagen -duas das maiores montadoras do país- abriram programas de demissão voluntária. A GM pode ainda fechar a linha de montagem de veículos de São José dos Campos e extinguir 1.500 vagas, segundo o sindicato de metalúrgicos local.


O diretor de assuntos institucionais da marca, Luiz Moan, disse que uma decisão será tomada até o fim do mês.


De acordo com Moan, a produção de automóveis na linha foi reduzida para apenas um turno, e a média de veículos fabricados passou de 60 para 44 por hora.


Já a Volkswagen abriu um PDV na fábrica de Taubaté, mas não explicou os motivos. Afirmou que o programa é previsto no acordo coletivo com o sindicato local.


Segundo fontes do setor, as vendas de junho reduziram os estoques de automóveis e comerciais leves de 43 dias para 36 dias, em média, nas montadoras e concessionárias.


(VENCESLAU BORLINA FILHO)


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado