Notícias

Economia em ritmo fraco faz BC reduzir juros para 8%
12/07/2012

 

Corte de 0,5 ponto leva analistas a prever juros de 7,5% no fim do ano

 

Decisão representa novo recorde de baixa, mas juros reais do país ainda são o terceiro maior do mundo

DE BRASÍLIA

Com a economia ainda sem sinais de recuperação, o Banco Central fez ontem o oitavo corte consecutivo na taxa básica de juros -0,5 ponto, levando a Selic a novo recorde de baixa, 8% ao ano.


Descontada a expectativa de inflação, o juro real no Brasil caiu para 2,3% -ainda o terceiro maior do mundo, mas o menor desde o início da década de 90, que é o período considerado comparável por economistas.


Se no início de 2012 a expectativa do mercado era que a Selic encerraria o ano próxima a 9%, a piora do cenário internacional e um primeiro semestre fraco já fazem os analistas preverem 7,5% ao ano em dezembro.


"Tudo aponta para um aumento da produção industrial e de vendas no varejo em junho", pondera Flávio Serrano, do Banco Espírito Santo. "Mas, se esse cenário não se confirmar nos próximos meses, o BC vai cortar mais do que o esperado", completa.


O corte na Selic levará a nova redução na remuneração das cadernetas de poupança.


É que, pela nova metodologia anunciada em maio, o rendimento passa a ser equivalente a 70% da Selic quando a taxa do BC for igual ou inferior a 8,5%.


Com o corte de ontem, o rendimento passará, portanto, a ser de 5,6% ao ano, além da TR (Taxa Referencial), que tende a se aproximar de zero.


O BC vem reduzindo os juros desde agosto de 2011, devido ao impacto da crise internacional sobre o crescimento econômico do país.


Os indicadores mostram, porém, que o consumo e o investimento têm reagido com lentidão. Ontem, a Confederação Nacional da Indústria reduziu sua estimativa de crescimento do PIB de 2012 de 3% para 2,1%.


Logo depois do anúncio do Banco Central, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Bradesco informaram que reduzirão juros a partir de segunda nas linhas de financiamento para veículos e material de construção, além de cheque especial e capital de giro, entre outros.


(MAELI PRADO)


Fonte: Folha de S.Paulo/Poder