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Astrônomos detectam galáxias escuras
13/07/2012

 

Supermassas de gás sem estrelas eram objetos previstos em teoria, mas nunca vistos

 

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Um grupo internacional de astrônomos acaba de anunciar a descoberta das primeiras galáxias escuras, flagradas nos confins do espaço.


Esses objetos fazem parte da teoria de formação e evolução galáctica. São massas gasosas, mas sem estrelas que lhes confiram brilho.


Especulava-se que elas tivessem existido no princípio do Cosmos, tendo se fundido com galáxias maiores. É por isso que não as vemos no Universo próximo. Foi preciso observar um quasar lá longe, a 11 bilhões de anos-luz de distância (quanto mais distante, mais antigo é o objeto), e ver o que havia por perto.


Quasares são galáxias com núcleos muito ativos, típicas no Universo primordial, mas incomuns atualmente.


"Nossa ideia era simples: se as galáxias escuras não emitem luz, então precisamos jogar uma luz brilhante nelas", explicou à Folha Sebastiano Cantalupo, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. "Por sorte, não precisamos fazer isso nós mesmos. Imagine a conta de luz."


Em vez disso, eles usaram o quasar HE0109-3518. "Essa fonte é tão poderosa, mais de 100 trilhões de vezes o brilho do Sol, que ilumina todas as galáxias escuras ao seu redor, mesmo a vastas distâncias."


Uma vez que as galáxias escuras são iluminadas, elas reemitem luz com uma cor fluorescente. "É como roupas brancas quando iluminadas por lâmpadas de ultravioleta numa casa noturna", diz.


Os pesquisadores desenvolveram um filtro óptico para pegar justamente essa frequência de luz e o instalaram no VLT (Very Large Telescope), do ESO (Observatório Europeu do Sul, no Chile).


O esforço resultou na descoberta de galáxias escuras com cerca de 1 bilhão de vezes a massa do Sol. Mais que as Nuvens de Magalhães, galáxias-satélites da Via Láctea (onde ficam o Sol e seus planetas). Mas sem estrelas -só gás hidrogênio difuso.


Os resultados estão no periódico britânico "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society".


Fonte: Folha de S.Paulo/Ciência+Saúde