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Morre o pintor espanhol Antoni Tàpies, 88
07/02/2012

 

Nome representativo da arte abstrata, ajudou os brasileiros Lygia Clark e Hélio Oiticica

 

FABIO CYPRIANO
CRÍTICO DA FOLHA
O pintor espanhol Antoni Tàpies morreu ontem, aos 88 anos, em Barcelona, cidade onde nascera no dia 13 de dezembro de 1923.


O artista foi um dos nomes representativos da arte abstrata do pós-Guerra. Autodidata, Tàpies, que abandonou o estudo do direito para se dedicar à arte, admitia ter tido grande influência de Joan Miró, Paul Klee e Max Ernst.


Sua principal marca, contudo, foi tornar-se um dos expoentes da "pintura matérica", assim chamada por conter densas camadas de tinta.


O catalão chegou a ser amigo do poeta e diplomata brasileiro João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que serviu em Barcelona e teria lhe presenteado livros marxistas, então proibidos na Espanha.


Em 1953, na segunda Bienal de São Paulo, a pintura "Ásia", que hoje pertence ao Museu de Arte Contemporânea da USP, concedeu a Tàpies o prêmio aquisição.


O artista criou, em 1984, a Fundação Tàpies, dedicada à promoção e estudo da arte moderna e contemporânea, em Barcelona, que se tornou um dos principais centro de arte da Europa.


As mostras que colocaram Lygia Clark e Hélio Oiticica como figuras-chave da arte no século 20, por exemplo, ocorreram lá, respectivamente, em 1997 e em 1992.


Não foi divulgada a causa da morte do artista, mas sabe-se se que sua saúde era frágil há muito tempo. Por isso, ele não esteve no Brasil, em 2004, quando foi tema de uma retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, com curadoria de Fábio Magalhães e, no ano seguinte, nas filiais do Rio e de Brasília da instituição.


Casado com Teresa Barba Fábregas, Tàpies era pai de Antoni, Clara e Miquel.


Fonte: Folha de S.Paulo. Ilustrada