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Governo diz que ainda faz estudos para pedágio em trechos urbanos
17/07/2012

 

Além de dados colhidos em testes no interior de São Paulo, Estado fará pesquisa de origem e destino

 

Alckmin diz que novo sistema é mais justo e reduzirá tarifa, mas admite que alguns irão 'pagar um pouquinho'

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
EDITOR-ADJUNTO DE “COTIDIANO”

O governo de São Paulo disse ontem que não esgotou os estudos para definir quais trechos urbanos de rodovias concedidas terão cobrança de pedágio a partir da implantação do sistema eletrônico.


Entre as ferramentas estão uma pesquisa de origem e destino, que vai mapear pontos de todo o Estado, além dos dados colhidos nos testes feitos em Itatiba e Indaiatuba.


A afirmação foi feita após reportagem da Folha mostrar que a implantação do sistema em todo o Estado -como quer o governo- vai ter como impacto a taxação de veículos em trechos urbanos que hoje não são pedagiados.


Candidatos a prefeito exploraram a medida politicamente, como Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB), o que levou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a defender o modelo.


O novo sistema, previsto para 2014, prevê cobrança por meio da leitura de chips em veículos e ampliará o total de carros tarifados e a extensão da via pedagiada.


Segundo Karla Bertocco Trindade, diretora-geral da Artesp (agência de transportes do Estado), não é possível apontar quais trechos serão tarifados, porque o governo está empenhado em levantar dados básicos para orientar a implantação do sistema.


Entre eles estão definições de custo, de tecnologia e de ritmo da implantação, que pode ter uma transição, com dois sistemas -manual e eletrônico- operando juntos.


"Com as conclusões e uma pesquisa de origem e destino, vou conseguir dizer para o governador quais são as alternativas para os pontos que a gente achar mais difícil."


Em entrevista anterior, Karla havia citado como "pontos críticos" trechos como os das rodovias Anchieta, entre a capital e São Bernardo do Campo, e o da Dom Pedro 1º, em Campinas, que serve de acesso à Unicamp.


Segundo ela, vários fatores serão levados em conta em trechos urbanos, como a sobrecarga da rodovia com viagens de curta distância e a existência de vias marginais. "Pode ser que um trecho urbano entre e outro, não. Vamos analisar caso a caso."


Ela listou alternativas para esses trechos, como isentar a cobrança dentro das cidades, construir vias marginais e repassar a gestão de trechos aos municípios -todas citadas na reportagem.


TARIFA MENOR 


Tanto ela quanto Alckmin enfatizaram que o pedágio eletrônico visa reduzir tarifa e tornar a cobrança mais justa, com pagamento por km rodado, mas ambos admitem que mais gente terá de pagar.


"Pode ter casos de pessoas que (...) não pagavam nada e passarão a pagar um pouquinho. Mas o objetivo é reduzir tarifa, não aumentar", disse Alckmin ao portal Terra.


Fonte: Folha de S.Paulo/Cotidiano