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Rede pública oferecerá droga de alto custo contra câncer de mama
24/07/2012

 

O trastuzumabe já é usado na rede privada há cerca de dez anos

 

DE BRASÍLIA

O Ministério da Saúde avisou que a rede pública passará a oferecer o medicamento trastuzumabe, usado por cerca de 25% das mulheres com câncer de mama.


O remédio já é usado na rede privada há alguns anos e é oferecido por parte dos hospitais públicos de alguns Estados, como em São Paulo.


A ideia é que, agora, esse tratamento, que custa em torno de R$ 7.000 por mês, alcance o SUS como um todo.


A incorporação do trastuzumabe ocorre após recomendação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), feita em maio, e após o governo sofrer pressões na Justiça. A medida foi antecipada ontem pelo jornal "O Estado de S.Paulo".


Só neste ano, o ministério já gastou R$ 12,6 milhões com a compra desse remédio por ordens judiciais. Em 2011, foram R$ 4,9 milhões.


Com a incorporação do remédio, o governo prevê gastar R$ 130 milhões por ano.


Segundo o oncologista Rafael Kaliks, diretor científico do instituto Oncoguia, o trastuzumabe ataca um "alvo" presente em até 25% das pacientes com câncer de mama.


Ele age tanto no pós-operatório quanto nos casos em que a doença está disseminada, segundo o médico.


O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Estimativas do ministério apontam para 52,6 mil novos casos da doença entre este ano e o próximo.


BARREIRA


Apesar de comemorarem a oferta do trastuzumabe, entidades apontaram a necessidade de outras medidas acompanharem o anúncio.


Uma delas é aumentar o reembolso que os hospitais recebem do governo pelo tratamento de cada paciente.


"Se o ministério reembolsa R$ 1.000 para a paciente com câncer de mama, o hospital não vai poder dar uma medicação de R$ 7.000", diz.


Segundo o Oncoguia, hoje o reembolso está em cerca de de R$ 570 mensais no início da doença e o valor aumenta nas fases mais avançadas.


Outra questão a ser detalhada é a orientação de como será feito o tratamento, diz Anderson Silvestrini, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.


Segundo ele, estudos demonstraram que, no tratamento pós-operatório, o remédio deve ser administrado por um ano. "Usar menos que isso é jogar dinheiro fora." Para Silvestrini, a introdução da droga "demorou muito". "O remédio está no serviço privado há quase dez anos."


Essa orientação deve constar do protocolo a ser divulgado nos próximos seis meses, segundo o ministério. É esse o prazo para que a rede pública faça a incorporação.


Segundo Carlos Gadelha, secretário de Ciência e Tecnologia do ministério, a tendência é que a compra do remédio seja centralizada para distribuição nos Estados.


Ele informou ainda que não está definido o tempo para o tratamento, mas será o "mais indicado pela literatura médica".


Fonte: Folha de S.Paulo/Saúde+Ciência