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Economia do governo cai para 50% da meta
01/08/2012

 

Diferença entre o que gestão arrecada e o que gasta, usada para pagar dívidas, cai 80% em junho, em relação a 2011

 

Na última vez em que o resultado ficou abaixo da metade, o governo retirou os gastos com investimento

MAELI PRADO
MARIANA SCHREIBER
DE BRASÍLIA

A economia do setor público para o pagamento da sua dívida caiu quase 80% em junho ante o mesmo mês do ano anterior, sob o impacto da queda na arrecadação de impostos, e fechou o semestre pouco abaixo de 50% da meta estabelecida para o ano.


Dados do Banco Central mostram que o superavit primário acumulado até junho foi de R$ 65,7 bilhões, ou 47% dos R$ 139,8 bilhões estipulados para o ano.


A última vez em que o saldo fiscal do setor público ficou abaixo de metade da meta no semestre foi em 2010, quando 36% do objetivo foi cumprido até junho.


Na ocasião, o governo só conseguiu cumprir a meta anual valendo-se de uma manobra que permite descontar do saldo as despesas com investimento.


O secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse ontem, contudo, que o governo mantém o objetivo de alcançar a meta cheia em 2012.


Segundo ele, os repasses de dividendos das estatais ao Tesouro estão sendo elevados para compensar o crescimento menor das receitas.


A previsão agora é que eles somem R$ 26 bilhões em 2012, R$ 3 bilhões a mais do que estava previsto inicialmente. Até junho, os dividendos somaram R$ 8 bilhões.


"[Estamos] mantendo meta cheia, com tranquilidade."


Em junho, o setor público fez um superavit primário de R$ 2,8 bilhões, queda de 79%.


O resultado equivale a 2,71% do PIB, o menor nível desde dezembro de 2010.


O fraco desempenho fiscal ocorre a despeito da queda real dos investimentos.


Excluindo as despesas no programa Minha Casa, Minha Vida, os investimentos cresceram só 2,7% no ano, abaixo da variação da inflação. Com o programa, a alta é de 30,7%, para R$ 32,8 bilhões.


A boa notícia é que o pagamento de juros aos credores da dívida vem caindo, por conta da queda na taxa básica de juros, a Selic, e da inflação menor deste ano. A relação dívida pública/PIB deve encerrar julho em 34,7%, menor percentual da história.


Fonte: Folha de S.Paulo/Mercado