O corregedor João Batista Beolchi disse que o número de empresas enganadas pela quadrilha pode chegar a 100
A Corregedoria Geral da Administração (CGA), órgão do Governo Paulista vinculado à secretaria da Casa Civil, prendeu em flagrante nesta segunda-feira, 24 de outubro, três homens envolvidos em casos de estelionato, extorsão e formação de quadrilhas, que estavam agindo há pelo menos 40 dias, nas imediações do Shopping Center Norte, na capital, fazendo-se passar por agentes da CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e vendendo falsos serviços de remediação de áreas contaminadas, entre outros crimes.
Segundo o delegado de polícia e corregedor João Batista Beolchi, do setor de Inteligência do Setorial do Meio Ambiente, núcleo da Corregedoria Geral da Administração instalado na sede da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da CETESB, as três pessoas presas, David Antequera, Willys Machado do Prado e Maurício Luizi, não têm qualquer vínculo com a CETESB e fazem parte de uma quadrilha formada por sete ou oito homens, que estavam divididos em duas frentes de atuação.
Um grupo visitava comerciantes e empresários nas imediações do Shopping, usando supostos uniformes da CETESB e uma kombi com logomarca e telefone da agência ambiental e, apresentando-se como fiscais da Companhia, os notificavam, com documentos forjados, também com logomarca da CETESB, da “grande concentração de gás metano no subsolo e o sério risco de explosão em toda área próxima ao Shopping Center Norte”, e alertando-os para a necessidade da “instalação de poços de monitoramento ambiental, bem como válvulas de liberação de gás.” E na notificação também, sempre em nome da CETESB, solicitavam que se apresentasse, em determinado prazo máximo (estipulado na notificação, como por exemplo, 15 dias), os respectivos laudos ambientais. Chegavam, inclusive, a definir quantos pontos de monitoramento deveriam ser construídos.
Nesse ínterim, dentro do prazo estipulado pelos falsos técnicos da agência ambiental, o outro grupo integrante da quadrilha, dizendo-se representantes da Rasperfure do Brasil, uma suposta empresa especializada em sondagens e monitoramento ambiental, aparecia e oferecia justamente os serviços e laudos solicitados na notificação falsa. Em alguns casos, os criminosos teriam chegado a extorquir quantias diversas em dinheiro na hora da visita, dissimulando uma forma de suborno que resolveria o problema.
De acordo com o Dr. João Batista Beolchi e o delegado Olavo Reino Francisco, corregedor coordenador do Setorial do Meio Ambiente, várias vítimas foram enganadas pela quadrilha de falsos fiscais e consultores ambientais, chegando a pagar taxa mensal aos estelionatários estipulada entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, pelos “serviços ambientais” oferecidos. Os casos de extorsão envolveram quantias de até R$ 60 mil. Segundo os corregedores, as investigações se iniciaram há cerca de 40 dias, quando a Presidência da CETESB começou a receber reclamações e denúncias dos comerciantes e empresários visitados, nas imediações do Shopping Norte. Há indícios, segundo o delegado Beolchi, de que o grupo vem cometendo artifícios semelhantes, na região dos municípios de Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes e Suzano há pelo menos dois anos.
Willys Machado do Prado e Maurício Luizi foram detidos pelos homens da Corregedoria Setorial do Meio Ambiente hoje por volta das 12h, na zona norte da capital, após visitar uma das vítimas e quando se dirigiam para outra visita, em um carro que aparentemente prestava serviço para a Rasperfure. Foi também apreendido hoje uma kombi com adesivos contendo a logomarca da CETESB e o telefone do Disque Meio Ambiente.
O terceiro homem, David Antequera, que assinava as falsas notificações da CETESB, foi preso em flagrante agora no início da noite. Conforme os corregedores, eles foram encaminhados para unidade do DEIC – Departamento de Investigações sobre Crime Organizado.
Da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - CETESB