Publicada em 2/1/2026
Reassentamento da Favela do Moinho chega à fase final com mais de 800 mudanças realizadas
O Governo de São Paulo encerrou 2025 com mais de 800 mudanças realizadas da Favela do Moinho. Na terça-feira (30), a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) concluiu cinco novas mudanças, elevando o total para 802, incluindo famílias e comércios. O número representa mais de 90% dos cerca de 880 grupos familiares cadastrados na área, cujo reassentamento teve início em abril. Restam cerca de 100 mudanças para a conclusão integral do plano, desenvolvido no âmbito do Casa Paulista, o maior programa habitacional da história do Estado.
Embora a execução tenha avançado ao longo de 2025, o trabalho começou ainda em setembro do ano passado, quando equipes da CDHU realizaram o cadastramento detalhado das famílias e das moradias existentes na favela. O levantamento incluiu escuta social, identificação da composição familiar, renda e condições socioeconômicas, além do mapeamento de situações críticas de risco e insalubridade.
O diagnóstico apontou problemas estruturais graves, como a presença de ratos, relatos de incidência de tuberculose, uso de materiais altamente inflamáveis nas construções, ligações elétricas clandestinas e a existência de apenas uma via de entrada e saída. O conjunto dessas condições elevava significativamente o risco de incêndios e outros acidentes, evidenciando a inviabilidade de regularização do núcleo e a necessidade de reassentamento das famílias.
“Estamos falando de um verdadeiro resgate social. Essas famílias viviam em condições extremamente precárias, expostas a riscos diários. O reassentamento permite não apenas a requalificação urbana da área, mas, sobretudo, o desenvolvimento humano, garantindo dignidade, segurança e autonomia para quem viveu por décadas sem acesso à moradia adequada”, afirma o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco.
LEIA TAMBÉM: Novo lar, nova vida: após 22 anos na Favela do Moinho, moradora recomeça com dignidade no centro de SP
Para garantir atendimento habitacional a todas as famílias do Moinho, a CDHU mapeou imóveis prontos ou em construção no mercado. Antes do início das mudanças, foram disponibilizadas cerca de 1,5 mil unidades, das quais mais de mil localizadas na região central, para acolher todos os moradores que preferissem permanecer na área. Outra alternativa oferecida foi a livre escolha de imóveis, por parte dos beneficiários, em qualquer município do Estado, desde que dentro dos parâmetros do programa. Em ambas as possibilidades, as moradias precisam custar até R$ 250 mil.
Os imóveis são gratuitos para famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil, conforme parceria anunciada entre o Governo do Estado e o Ministério das Cidades, em maio deste ano. Famílias que optam por unidades ainda em construção recebem caução inicial de R$ 2,4 mil e, a partir do mês seguinte, auxílio-moradia de R$ 1,2 mil até a entrega das chaves.
Mudança de vida
As novas condições de moradia chegaram para Fernanda Tatiana Pereira da Silva, de 43 anos, que viveu por cinco anos no Moinho após se mudar de Jundiaí para trabalhar na capital. Nesta terça-feira (30), a auxiliar de limpeza deixou definitivamente a favela e passou a ocupar um apartamento no Parque Peruche, na Zona Norte da capital, onde vai morar com o filho, Jairo Roberto, de 26 anos, e o gato de estimação, Ace.
O imóvel, localizado em um prédio de três andares, tem dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço, além de estar em uma região bem abastecida de infraestrutura, próximo a supermercados, farmácias e pontos de ônibus. A mudança ocorreu poucos dias depois de Fernanda perder a mãe, que faleceu em 22 de dezembro. Ainda assim, ela conseguiu atravessar o fim de ano em um novo endereço – e em um novo momento de vida.
“Consegui meu apartamento com muita oração e luta. Estou contente porque vou sair do aluguel. Minha vida vai melhorar. Estou indo para o que é meu. É do jeito que eu pedi a Deus”, contou, emocionada, antes da mudança. “Quando chegou o dia, eu não conseguia dormir. Ficava embalando as coisas e pensando: ‘meu Deus, eu vou mudar’. Estou sem acreditar.”
Depois de entrar no novo apartamento, o sentimento foi de alívio e pertencimento. “Agora eu sei que aqui é meu. Ninguém vai me tirar daqui. Não vou pagar aluguel. É a realização de um sonho. Nunca tive casa própria, é a primeira no meu nome. Casa nova renova nossos desejos, dá vontade de planejar, de fazer coisas que antes não dava”, afirmou.